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“Cahiers du Cinéma” (An Anthology in Four Volumes – 1951-1978) PDF

Volume 1: 9 MB
 
 
 

O novo sempre vem – Marielle Franco (8 de janeiro de 2018)

Em 1975, um grupo de mulheres organizou um evento na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, sobre a situação das mulheres no Brasil. Foram mais de quatrocentas participantes, num movimento que deu início ao Centro da Mulher Brasileira (CMB), primeira organização feminista no país. Mais de quatro décadas depois, ocupamos o mesmo espaço, agora como mulheres, negras, trans, faveladas, professoras, nordestinas, mães, enfim, mulheres em toda a sua diversidade.

No evento de outrora, mulheres negras fizeram críticas contundentes à organização que, apesar de contar com personagens importantes da luta contra a ditadura, não abarcou a diversidade de experiências do que é ser mulher. No final de novembro de 2017, fizemos da ABI um espaço de debate político. Um debate vivo, cheio de nuances, em que cinco centenas de nós afirmamos que vamos ocupar a política, os espaços de poder; contudo, não em uma ocupação meramente “cotista”. Há, inegavelmente, um novo momento, uma marcha em fermentação de mulheres rumo à apropriação dessas engrenagens.

Chegamos a 2018 colhendo frutos de décadas de lutas das mulheres por melhores condições de vida e por mais igualdade nos espaços de tomada de decisões. Nesse período, é inegável que o feminismo se tornou mais diverso, em especial com os avanços das pautas de raça, orientação sexual e identidade de gênero, e também nas reflexões sobre as diversas experiências pelas quais as mulheres passam, como a maternidade. Essa diversidade se expressa nas ruas, em manifestações, e nas redes sociais, por meio de páginas, aplicativos, blogs e vídeos.

Fala-se muito que estamos vivendo uma nova onda feminista, embora a ideia de onda indique um rompimento maior do que como acontece na história de fato. A mídia propaga a ideia de que há um “novo feminismo”, mas na verdade o que vivemos é o resultado de uma convergência de diferentes expressões do feminismo que, mesmo com estratégias de atuação muito diversas, têm em comum a compreensão de que a internet é um espaço de diálogo e articulação política. O feminismo brasileiro hoje não é só jovem e empoderado. O bonde das feministas históricas e o bonde das feministas hashtag dialogam na construção das ações. O feminismo como um todo é plural, diversificado e capaz de produzir convergências.

Desde a eleição de 2010 vivemos uma conjuntura marcada por contradições importantes no que se refere às questões de gênero. O saldo das manifestações e campanhas que se seguiram foi a necessidade de uma representação política mais diversa. As mulheres se colocaram como uma força política importante no cenário nacional, em especial as negras e indígenas. Assumimos o papel de apontar para o que seria o “novo” de verdade na política: inverter o jogo, sair da posição de subalternidade na sociedade para ocupar espaços de formulação, de desenvolvimentos programáticos e de projetos, de tomadas de decisão.

Apesar de termos chegado a alguns lugares importantes, a representação política das mulheres ainda é ínfima, e a das mulheres negras é ainda pior. Mulheres negras somos cerca de 25% da população brasileira, segundo censo do IBGE de 2010. Segundo o “Retrato das desigualdades de gênero e raça” (Ipea, 2015), somos também a maior parte das pessoas desempregadas, que trabalha sem carteira assinada, como empregada doméstica ou com menor renda domiciliar per capita. Essa situação não é por acaso, é fruto de um desenvolvimento civilizatório que foi capaz de desumanizar e objetificar o corpo das mulheres negras.

Em meio a tanta desigualdade, ao racismo e ao sexismo que insistem em nos violentar, a chegada da mulher negra à institucionalidade surpreende. Nossa presença assusta o conluio masculino, branco e heteronormativo. Ao mesmo tempo, nos vemos diante do desafio de construir um projeto político que não exclua as questões que nos trouxeram até aqui, que não as torne secundárias e que se mantenha afinado com as lutas dos movimentos.

Ironicamente, se em 1975 as mulheres reunidas estavam em luta contra a ditadura militar, agora estamos em enfrentando um governo ilegítimo e os golpes cotidianos que ele promove em nossos direitos e em nossas liberdades. Em um cenário de graves retrocessos e da ação articulada das forças religiosas no Congresso Federal, as mulheres estão conseguindo impedir as mudanças de legislação pela articulação de formas muito diversas de fazer feminismo por meio do fortalecimento mútuo. Estamos resistindo aos ataques racistas cotidianos e tentando encontrar caminhos para superar a situação de miséria em que a crise colocou as pessoas que moram nas favelas, periferias e no campo, fortalecendo as iniciativas de economia solidária e de fortalecimento de movimentos como o MTST e o MST.

Graças ao surgimento de grupos como o PretaLab, à formação sobre segurança digital da Universidade Livre Feminista, à MariaLab e às Blogueiras Negras, estamos resistindo à difusão do discurso de ódio e às novas formas de violência que acontecem no âmbito virtual. Quando ouvimos o Slam das Minas, levando a poesia falada das mulheres para os diferentes territórios e reinventando a ideia de batalha – elas não competem nos recitais, elas estão lado a lado, se complementando na performance –, sabemos quem somos, as vozes que se escutam, que se acolhem, que fazem política o tempo todo. Essa resistência é nova também em sua estética!

A PartidA Feminista está mobilizada para lançar candidatas e fazer o debate sobre a importância de eleger feministas comprometidas com os projetos de transformação. O movimento, surgido em 2015, quando ativistas se reuniram para discutir o sentido e a possibilidade de um partido feminista brasileiro, reúne coletivos de mulheres de partidos e movimentos diversos de todo o Brasil. Ou seja, de forma articulada, as eleições de 2018 estão sendo gestadas. Iniciativas para uma representação mais diversa devem ser reeditadas, além de instrumentos para o financiamento coletivo das campanhas.

Em nosso encontro recente na ABI, partimos da ideia de que “uma mulher puxa a outra” – um dos motes da Marcha das Mulheres Negras em 2017. Reunimos mulheres que se destacaram no cenário político do Rio de Janeiro e que são potenciais candidatas a diversos espaços de poder – câmaras estaduais e federal, sindicatos, partidos e associações diversas –, com destaque para as mulheres negras. Isso porque o recado foi dado nas eleições de 2016, e aqui no Rio de Janeiro seguimos à frente da Comissão da Mulher para pautar o debate de gênero na Câmara partindo da nossa perspectiva. Talíria Petroni tem enfrentado o desafio de construir um mandato negro, popular e feminista como a única mulher na Câmara de Niterói. Áurea Carolina, em Belo Horizonte, inova ao criar a “gabinetona” aberta às mais diferentes lutas e ao mesmo tempo atenta aos afetos, à poesia e ao autocuidado. Nós aprendemos umas com as outras, estamos buscando formas de fazer política que não sejam mera reprodução do que sempre foi feito, porque isso nos deixa mais fortes para ocupar espaços da institucionalidade, apesar de todos os retrocessos. Mas não queremos ficar sozinhas nesse espaço, queremos outras e que transformem a política.

O evento recente da ABI foi gestado dentro de um mandato parlamentar, mas não só por ele. Uma rede de mulheres independentes de filiações partidárias se uniu para demandar e organizar o encontro. Por si só essa movimentação descortina um novo momento. O sistema político, tal qual (não) funciona hoje precisa ser urgentemente transformado. Nossa aposta é que outras mulheres sejam fortalecidas para ocupar os espaços de poder. E, para isso, qualquer projeto político de esquerda não pode ignorar as questões que trazemos. 2018 que nos aguarde!

*Marielle Franco (27 de julho de 1979 – 14 de março de 2018)

http://diplomatique.org.br/o-novo-sempre-vem/

Ron Trent Presents: Prescription – Word, Sound & Power (Rush Hour Recordings, 2017)

[house, deep house]

01. C. Damier & R. Trent – Morning Factory
02. Ron Trent – Prescription
03. Ron & Chez D – Don’t Try It
04. Ron Trent – Seduction
05. Ron Trent – Pop, Dip And Spin
06. Ron Trent – Energy
07. Chez Damier & Ron Trent – Sometimes I Feel Like
08. Angora – Enchantment
09. Ron Trent – I Feel The Rhythm
10. Ron Trent & Anthony Nicholson – Soul Samba Express
11. USG – Life 4 Living feat. Monica Elam
12. Ron Trent – Space Ridims
13. Chez Damier & Ron Trent – Foot Therapy
14. Konfusion Kidzz – On My Mind
15. Ron Trent – Morning Fever
16. Ani – Love Is The Message (For Those Who Didn’t Hear It)
17. World, Sky & Universes – The Answer
18. Ron Trent – Black Magic Woman feat. Harry Dennis
19. Noni – Be My
20. Warp Dub Sound System – Night Places Darkness Upon The Earth
21. Chez-N Trent – The Choice
22. Ron Trent – History
23. Ron Trent – The Meaning
24. Ron Trent – Piano Track

“In 1993, Prescription, the label established by Ron Trent and Chez Damier, got off to a casual start. “Carl Bias called me up one day,” Trent told NPR recently, “and said, ‘This guy Chez is at my house, and he wants to meet you.’ [In] a week or two, we were in Detroit recording in Kevin Saunderson’s lab, and the first tune we did was a tune that became pretty big for us, “Don’t Try [It].”” That the recently acquainted duo managed, in a matter of days, to knock out a near-perfect vocal house track was a sign of things to come. Over the next couple of years, enduring classics such as “Morning Factory” and “The Choice” would become the building blocks of a legacy documented on the six-disc Prescription: Word, Sound & Power.

By the time Damier and Trent formed Prescription, the then 20-something producers had already left their marks on dance music history. Trent wrote “Altered States” when he was 14. (Damier, at the same age, was going to clubs and working at a record store.) Damier would head to East Lansing, Michigan, and eventually cofounded the Music Institute alongside George Baker and Alton Miller. Before meeting Trent, he had already made three classic KMS EPs, Can You Feel It, I Never Knew Love and Untitled. “A lot of the wonderful stuff that was going on [in Chicago] in the ’80s had died off and gone in a different direction,” Trent told RBMA in 2007. With Prescription, Damier and Trent wanted to bring back the halcyon days of Chicago dance music.

Prescription was also named for Damier and Trent’s beliefs in the spiritual power of house music. On the compilation’s second track, “Prescription,” Trent says this music is “bringing you back to what is sacred, not cheap,” before paying his respects to his influences, charting a course through Fela Kuti, John Coltrane, Miles Davis, Larry Levan and Ron Hardy. “I was more or less the music guy,” said Trent, explaining the division of labour in the studio. “I synthesized the sound, and Chez was more the spiritual philosopher that Chez is.” Trent landed on a timeless formula: jazzy pads, dreamy ambience, hand percussion and deep, sub-bass lines. You can hear it on the masterful “Seduction,” the roller-skate glide of “Pop, Dip And Spin” and “Morning Fever,” and the walking bassline on “The Meaning,” among others.

Damier’s vocals gave Prescription tracks a certain attitude. On “Don’t Try It,” his ad libs—”do, dah, do dah”—dovetail with Angelique Nicole’s lead vocal. On “The Choice,” he combines his own vocal with a hiccup-like sound. Trent’s collaborations with Anthony Nicholson feel more like jams—their 11-minute “Soul Samba Express” features a wild, extended percussion breakdown, while the near-16 minute “Night Places Darkness Upon The Earth” has the longest house music synth solo I can think of. Several previously unreleased tracks appear on Prescription: Word, Sound & Power. One of them, “Black Magic Woman,” a spacey hip-house collaboration with Harry Dennis, provides the compilation’s most memorable line: “I would walk a crooked mile / on the backs of crocodiles / just to get with you.”

Prescription: Word, Sound & Power isn’t perfect. Romanthony’s “The Wanderer” is notably absent. “Enchantment (Original Demo Mix),” by Angora—a group whose members included Peven Everett and Roy Davis, Jr.—is neither producer’s strongest material. Otherwise, this is about as essential a house compilation as money can buy. Damier and Trent blended Detroit, Chicago and New York styles of house in music that was clearly black and American. Spirituality was also key. (“It was healing work,” said Trent. “We used to put messages on the back of our records.”) With Prescription, Trent and Damier made house that honored the long tradition of black soul music, harnessing its healing potential for the dance floor. It sounds as vital as ever.”

fonte – RA – www.residentadvisor.net/reviews/20708