Cinema-Injection

82 Ensinamentos Para Viver Bem (Alejandro Jodorowsky)

  1. Ancore sua atenção em você. Esteja consciente em cada momento sobre o que você está pensando, sentindo, percebendo, desejando e fazendo.
  2. Sempre termine o que começou
  3. O que quer que esteja fazendo, faça da melhor maneira possível.
  4. Não se apegue a nada que possa lhe destruir ao longo do tempo.
  5. Desenvolva sua generosidade ‒ mas secretamente.
  6. Trate a todos como se ele ou ela fossem parentes ou pessoas próximas.
  7. Organize o que você desorganizou.
  8. Aprenda a receber e oferecer agradecimentos por cada presente e dom recebidos.
  9. Pare de se definir.
  10. Não minta ou roube, pois você mente para você e rouba de você.
  11. Ajude seus vizinhos, mas não os torne dependentes.
  12. Não encoraje outros a lhe imitarem.
  13. Faça planos de trabalho e os cumpra.
  14. Não ocupe muito espaço.
  15. Não faça movimentos ou sons inúteis.
  16. Se lhe falta fé, finja que tem.
  17. Não se permita impressionar por personalidades fortes.
  18. Não olhe para ninguém ou para nada como se fossem suas posses.
  19. Divida de maneira justa.
  20. Não seduza.
  21. Coma e durma somente o necessário.
  22. Não fale de seus problemas pessoais.
  23. Não expresse julgamento ou criticismo quando você ignora grande parte dos fatores envolvidos.
  24. Não estabeleça amizades inúteis.
  25. Não siga modas.
  26. Não venda seu peixe (ou você mesmo).
  27. Respeite os contrato que assinou.
  28. Seja pontual.
  29. Nunca inveje a sorte ou o sucesso de outros.
  30. Não fale mais do que o necessário.
  31. Não pense nos ganhos que seu trabalho proporcionará.
  32. Não ameace ninguém.
  33. Mantenha suas promessas.
  34. Quando estiver numa discussão, coloque-se no lugar da outra pessoa.
  35. Admita que alguém pode ser superior à você.
  36. Não elimine, transmute.
  37. Conquiste seus medos, pois cada um deles representa um desejo camuflado.
  38. Ajude os outros a se ajudarem.
  39. Conquiste suas aversões e aproxime-se daqueles que lhe inspiram rejeição.
  40. Não reaja ao que os outros dizem de você, sejam elogios ou críticas/culpas.
  41. Transforme seu orgulho em dignidade.
  42. Transforme sua ira em criatividade.
  43. Transforme sua ganância em respeito pelo que é belo.
  44. Transforme sua inveja em admiração pelos valores dos outros.
  45. Transforme seu ódio em caridade.
  46. Não vanglorie-se nem insulte-se.
  47. Trate aquilo que não lhe pertence como se pertencesse.
  48. Não reclame.
  49. Desenvolva sua imaginação.
  50. Nunca dê ordens para ter a satisfação de ser obedecido.
  51. Pague pelos serviços que lhe prestarem.
  52. Não faça pregações das suas ideias ou dos seus trabalhos.
  53. Não tente fazer ninguém sentir por você emoções como dó, admiração, simpatia ou cumplicidade.
  54. Não tente distinguir-se através da aparência.
  55. Nunca contradiga, ao contrário, permaneça em silêncio.
  56. Não acumule débitos; adquira e pague imediatamente.
  57. Se ofender alguém, peça perdão; se ofender alguém publicamente, desculpe-se publicamente.
  58. Quando você se der conta que disse algo errado, não persista no erro por orgulho; ao contrário, retrate-se imediatamente.
  59. Nunca defenda suas ideias simplesmente porque você foi quem as expressou.
  60. Não guarde objetos inúteis.
  61. Não adorne-se de ideias exóticas.
  62. Não tire suas fotografias junto de pessoas famosas.
  63. Não justifique-se para ninguém, e mantenha-se como seu próprio conselheiro.
  64. Nunca defina-se pelo que você tem.
  65. Nunca fale sobre você sem considerar que você pode mudar.
  66. Aceite que nada lhe pertence.
  67. Quando alguém perguntar sua opinião sobre alguém ou sobre algo, descreva apenas as qualidades.
  68. Quando ficar doente, trate sua doença como um professor, não algo a ser odiado.
  69. Olhe diretamente e não se esconda.
  70. Não esqueça seus mortos, mas dê-lhes um lugar limitado e nunca permitam que eles invadam sua vida.
  71. Onde quer que viva sempre encontre um espaço que você devote ao sagrado.
  72. Quando realizar um serviço, torne seu esforço imperceptível.
  73. Se você decidir trabalhar para ajudar os outros, faça-o com prazer.
  74. Se você está hesitante entre fazer ou não fazer algo, arrisque fazer.
  75. Não tente ser tudo para seu cônjuge; aceite que há coisas que você não pode dar à ele/ela mas que outros podem.
  76. Quando alguém estiver falando com uma audiência interessada, não contradiga essa pessoa e roube sua audiência.
  77. Viva com o dinheiro que ganhou.
  78. Nunca se gabe das suas aventuras amorosas.
  79. Não glorifique suas fraquezas.
  80. Nunca visite alguém apenas para passar o tempo.
  81. Obtenha coisas para dividir.
  82. Se você estiver meditando e um demônio aparecer, faça-o meditar também.

1. Ground your attention on yourself. Be conscious at every moment of what you are thinking, sensing, feeling, desiring, and doing.
2. Always finish what you have begun.
3. Whatever you are doing, do it as well as possible.
4. Do not become attached to anything that can destroy you in the course of time.
5. Develop your generosity ‒ but secretly.
6. Treat everyone as if he or she was a close relative.
7. Organize what you have disorganized.
8. Learn to receive and give thanks for every gift.
9. Stop defining yourself.
10. Do not lie or steal, for you lie to yourself and steal from yourself.
11. Help your neighbor, but do not make him dependent.
12. Do not encourage others to imitate you.
13. Make work plans and accomplish them.
14. Do not take up too much space.
15. Make no useless movements or sounds.
16. If you lack faith, pretend to have it.
17. Do not allow yourself to be impressed by strong personalities.
18. Do not regard anyone or anything as your possession.
19. Share fairly.
20. Do not seduce.
21. Sleep and eat only as much as necessary.
22. Do not speak of your personal problems.
23. Do not express judgment or criticism when you are ignorant of most of the factors involved.
24. Do not establish useless friendships.
25. Do not follow fashions.
26. Do not sell yourself.
27. Respect contracts you have signed.
28. Be on time.
29. Never envy the luck or success of anyone.
30. Say no more than necessary.
31. Do not think of the profits your work will engender.
32. Never threaten anyone.
33. Keep your promises.
34. In any discussion, put yourself in the other person’s place.
35. Admit that someone else may be superior to you.
36. Do not eliminate, but transmute.
37. Conquer your fears, for each of them represents a camouflaged desire.
38. Help others to help themselves.
39. Conquer your aversions and come closer to those who inspire rejection in you.
40. Do not react to what others say about you, whether praise or blame.
41. Transform your pride into dignity.
42. Transform your anger into creativity.
43. Transform your greed into respect for beauty.
44. Transform your envy into admiration for the values of the other.
45. Transform your hate into charity.
46. Neither praise nor insult yourself.
47. Regard what does not belong to you as if it did belong to you.
48. Do not complain.
49. Develop your imagination.
50. Never give orders to gain the satisfaction of being obeyed.
51. Pay for services performed for you.
52. Do not proselytize your work or ideas.
53. Do not try to make others feel for you emotions such as pity, admiration, sympathy, or complicity.
54. Do not try to distinguish yourself by your appearance.
55. Never contradict; instead, be silent.
56. Do not contract debts; acquire and pay immediately.
57. If you offend someone, ask his or her pardon; if you have offended a person publicly, apologize publicly.
58. When you realize you have said something that is mistaken, do not persist in error through pride; instead, immediately retract it.
59. Never defend your old ideas simply because you are the one who expressed them.
60. Do not keep useless objects.
61. Do not adorn yourself with exotic ideas.
62. Do not have your photograph taken with famous people.
63. Justify yourself to no one, and keep your own counsel.
64. Never define yourself by what you possess.
65. Never speak of yourself without considering that you might change.
66. Accept that nothing belongs to you.
67. When someone asks your opinion about something or someone, speak only of his or her qualities.
68. When you become ill, regard your illness as your teacher, not as something to be hated.
69. Look directly, and do not hide yourself.
70. Do not forget your dead, but accord them a limited place and do not allow them to invade your life.
71. Wherever you live, always find a space that you devote to the sacred.
72. When you perform a service, make your effort inconspicuous.
73. If you decide to work to help others, do it with pleasure.
74. If you are hesitating between doing and not doing, take the risk of doing.
75. Do not try to be everything to your spouse; accept that there are things that you cannot give him or her but which others can.
76. When someone is speaking to an interested audience, do not contradict that person and steal his or her audience.
77. Live on money you have earned.
78. Never brag about amorous adventures.
79. Never glorify your weaknesses.
80. Never visit someone only to pass the time.
81. Obtain things in order to share them.
82. If you are meditating and a devil appears, make the devil meditate too.

Entrevista com Jacques Rancière (2010)

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CULT – O senhor rejeita a ideia de estetização da política que encontramos em Walter Benjamin. Como podemos interpretar a manipulação das sensações dentro do campo político? Por exemplo, o incentivo ao medo do terrorismo, a apresentação de políticos como mercadorias não seriam maneiras de estetizar a relação das pessoas com o poder político?

Rancière – Penso que a política tem sempre uma dimensão estética, o que é verdade também para o exercício das formas de poder. De certa maneira, não há uma mudança qualitativa entre o discurso em torno do terrorismo hoje e o discurso midiático contra os trabalhadores no século 19, que dizia que os operários contestadores cortavam pessoas em pedaços. Sempre houve, digamos, uma série de discursos organizados pelo poder. Eventualmente, eles serviram como forma de ilustração.
Não há novidade radical. A estética e a política são maneiras de organizar o sensível: de dar a entender, de dar a ver, de construir a visibilidade e a inteligibilidade dos acontecimentos. Para mim, é um dado permanente. É diferente da ideia benjaminiana de que o exercício do poder teria se estetizado num momento específico. Benjamin é sensível às formas e manifestações do Terceiro Reich, mas é preciso dizer que o poder sempre funcionou com manifestações espetaculares, seja na Grécia clássica, seja nas monarquias modernas.
Há um momento em que é preciso distinguir duas coisas: de um lado, a adoção de certas formas espetaculares de mise-en-scène do poder e da comunidade. De outro, a ideia mesma de comunidade. É preciso saber se pensamos a comunidade política simplesmente como um grupo de indivíduos governados por um poder ou se a pensamos como um organismo animado.
Na imaginação das comunidades há sempre esse jogo, essa oscilação entre a representação jurídica e uma representação estética. Mas não creio que se possa definir um momento preciso de estetização da comunidade.
Por exemplo, o nazismo, que é usado frequentemente como exemplo de política estetizada, na verdade também recuperou a estética de seu tempo. Pense nas demostrações dos grupos de ginástica em Praga nos anos 1930. Eram associações apolíticas ou absolutamente democráticas, com a mesma estética que encontramos no nazismo.
Para mim, é preciso tomar distância da ideia de um momento totalitário da história marcado especialmente pela estetização política, como se pudéssemos inscrever isso num momento de anti-história das formas estéticas da política e das formas de espetacularização do poder.

CULT – Uma das críticas mais frequentes à arte contemporânea é a impossibilidade de definir o que é uma obra de arte e o que não é. O senhor escreve que, “para que uma maneira de fazer técnica seja qualificada como artística, primeiro é preciso que seu tema o seja”. Como definir a obra de arte ou a arte em si?

Rancière – Não definimos a obra de arte como “obra”. O que eu digo, no fundo, é que uma forma de arte é sempre ligada à dignidade dos temas.
O romance torna-se grande arte quando a vida de qualquer um se tranforma em arte. A fotografia no cinema não é só uma forma de mostrar o visível, mas mostra que uma cena de rua ou a vida de qualquer pessoa tem direito de ser citada na arte.
A partir do momento em que tudo é representável, não há mais especificidade. A especificidade não será dada, enfim, pela técnica em particular, mas pelos códigos de apresentação. Mais uma vez, não creio que haja uma radicalidade nova.
Há algumas décadas, as análises de Arthur Danto vieram dizer que somente a instituição é quem faz a obra de arte. De certa maneira, isso sempre foi verdadeiro. A “representação da representação” ligada a certo tipo de procedimento ou de instituição sempre foi necessária para identificar uma coisa como pertencente ao universo da arte.

CULT – Mas, hoje, mesmo uma grande parte do público questiona o fato de estar vendo “arte”. Não há uma maior distância entre a apresentação e a recepção?

Rancière – Vivemos hoje em dia a contradição máxima, qualquer coisa pode entrar na esfera da arte. Mais do que nunca, a arte, hoje, se constitui como uma esfera à parte, com as pessoas que a produzem, com as instituições que a fazem circular, seus críticos.
Numa época em que os afrescos de uma igreja eram o que se considerava arte, essa questão simplesmente não se colocava, porque a arte não existia como instituição. É a contradição constitutiva do regime estético.

CULT – A última Bienal de São Paulo tinha um andar inteiramente vazio, simbolizando o vazio na arte. Como podemos interpretar esse vazio? O senhor fala do fim da arte utópica. O vazio seria a arte “atópica”?

Rancière – Podemos fazer o vazio significar várias coisas. Há artistas que organizam retrospectivas de suas obras, e o que vemos? Nada. Há apenas guias que falam. Há muitas possibilidades. Podemos conceber uma exposição sobre o tema do vazio no modernismo duro. Ou então imaginar uma exposição pós-moderna desencantada “mostrando o vazio porque a arte contemporânea é vazia”. Ou ainda criar uma exposição em termos conceituais, em que efetivamente substituímos as obras pelo discurso sobre as obras, e assim por diante.

Mas a verdade é que eu nunca estou muito interessado por esse tipo de estratégia. Se partimos da ideia de que não há nada, é preciso mostrar que não há nada, e mostrar que o que há não vale nada, e assim por diante.

São estratégias eficazes, mas não tão interessantes. Quando não sabemos muito bem como qualificar algo, sempre podemos fazer uso do “vazio”. Eu me lembro da Bienal de Veneza de dois anos atrás, em que havia uma multiplicidade de obras neo-naïf, neoexpressionistas, como iconografia provocante. Há multiplas estratégias.

CULT – O senhor critica muitas vezes a separação a priori entre atividade e passividade. Nesse contexto, como analisa as tecnologias colaborativas que estão surgindo na atividade artística?

Rancière – O que digo não é especialmente ligado à arte colaborativa. Em primeiro lugar, toda atividade comporta também uma posição de espectador. Agimos sempre, também, como espectadores do mundo.
Em segundo lugar, toda posição de espectador já é uma posição de intérprete, com um olhar que desvia o sentido do espetáculo. É minha tese global, que não está ligada só a uma arte interativa.
Todas as obras que se propõem como interativas, de certa maneira, definem as regras do jogo. Então, esse tipo de obra pode acabar sendo mais impositivo do que uma arte que está diante do espectador e com a qual ele pode fazer o que bem entender.
Podemos dizer, então, que as obras estão no museu, na galeria, na internet, e o espectador é convidado a colaborar. Mas isso é só mais uma forma de participação, e não necessariamente a mais interessante.

CULT – O senhor recupera o lado político da literatura, graças a seu poder de reconfigurar os modos de existência, e evoca a passagem de Aristóteles em que ele diz que o ser humano é político porque possui o logos, ou seja, é capaz de fazer discursos. Hoje, os meios de publicação tradicionais, jornais, editoras etc. estão ameaçados por formas como blogs e redes sociais. Que tipo de mudanças podemos esperar na vida política com essas novas formas?

Rancière – Isso depende de até que ponto a internet define uma escritura específica. Para mim, na verdade, a internet define essencialmente apenas um modo específico de circulação da informação, que não nega as formas anteriores da escrita. Dá para consultar, numa infinidade de sites, as obras clássicas da literatura e da filosofia, ao mesmo tempo em que existe a linguagem SMS.
Tudo circula, cada vez mais rápido e com mais facilidade: da linguagem minimalista dos SMS aos livros todos, digitalizados pelas grandes bibliotecas. Muitas vezes, recuperam-se livros que não podem mais ser encontrados no papel. Desconfio sempre desse discurso de que o Google vai matar o livro. Não há motivo, porque podemos ler livros no Google.
Para pensar essa questão da política e da literatura na era da internet, precisamos primeiro pensar nas relações entre tipos de mensagem. A internet é, para mim, um suporte que não vem associado a um tipo de mensagem particular. Portanto, não deve causar grandes mudanças.
É diferente do que aconteceu com a chegada do cinema, por exemplo. Podemos constatar que a literatura não tem hoje o papel que tinha no século 19. Apesar do número enorme de romances publicados, poucos são os que remodelam a imagem do indivíduo e da comunidade. Esse papel foi assumido pelo cinema. A literatura oferecia uma capacidade de alargar as formas de percepção do mundo e da comunidade, ela agia sobre a visão e o sentimento de praticamente qualquer um. Hoje, quem faz isso é o cinema, a televisão, a internet.

CULT – Até há pouco tempo, havia Bush e Dick Cheney de um lado e, de outro, a Europa como uma espécie de guardiã do “bom senso” na política. Agora, os norte-americanos elegeram Obama e os europeus escolheram Sarkozy e Berlusconi, acompanhados por um fortalecimento geral dos partidos conservadores. Falando das eleições de 2002, o senhor disse que não se pode vencer a extrema direita associando-se ao consenso e às oligarquias. O ano de 2009 é a conclusão do que começou em 2002?

Rancière – Não acho que podemos comparar. Em 2009, foram eleições europeias. Se tomamos o caso da França, em 2005 houve o referendo da Constitição Europeia e a União triunfou.
Em 2007, Sarkozy chegou ao poder e renegociou os poderes dessa Constituição. Ele decidiu que não se submeteria ao referendo pois, segundo ele, havia questões importantes de Estado envolvidas. Esse é um primeiro ponto. É preciso dizer que falamos de 40% do eleitorado que votou e é preciso pensar nos 60% que não votou.
A mudança entre 2002 e 2009 é que a parte do corpo eleitoral que não votou está mais à esquerda. A vitória da direita está ligada mais ao fato de que o eleitorado de esquerda não se reconhece nos partidos de esquerda, do que numa conversão da população inteira ao sarkozismo. O eleitorado de direita está contente com o que tem, está contente com Sarkozy e Berlusconi.
O eleitorado de esquerda não está satisfeito nem com os homens que estão poder, como Gordon Brown, nem com os que estão na oposição, e o melhor exemplo é a oposição socialista na França. Não acho que haja um crescimento extraordinário da direita e da extrema direita, mas sim um desencanto da esquerda.

CULT – Mas a crise gerou nos Estados Unidos um abandono da direita, representada por Bush…

Rancière – Houve uma mobilização enorme em torno das eleições norte-americanas. Uma série de pessoas que nunca tinham votado foi votar pela primeira vez, especialmente os negros.

No caso da Europa, foi o contrário. Há países onde apenas 20% dos eleitores votaram, e só 40% na França. Não acho que esse contraponto deva ser pensado em relação direta com a crise financeira. O resultado foi precipitado por ela, mas a ideia de Obama contra Bush remete a uma insatisfação anterior e mais fundamental do que a mera reação à crise econômica.

CULT – Os desinteresses pela política e pela arte seriam duas vertentes da mesma situação?

Rancière – Não tenho certeza, até porque o desinteresse pela política não é tão claro assim. Muita gente votou nas eleições presidenciais há dois anos. Nas eleições europeias, aparentemente muitas pessoas que normalmente votam não votaram, e muita gente que não costuma votar saiu de casa porque queria salvar o planeta. Esse é um primeiro aspecto.
O segundo é que não creio que haja um desinteresse pela estética, pela arte. As pessoas ainda vão ver Jeff Koons em Versalhes. O interesse pelos artistas ainda é muito importante. É verdade que de vez em quando há coisas desastrosas, teve La force de l’art no Grand Palais e estava sempre deserto, mas as pessoas se davam cotoveladas para ver Picasso.

CULT – Se a mudança do mundo passa por reconfigurações da maneira de pensar e entender a realidade, então ela não passa pelas revoluções como as conhecemos?

Rancière – Podemos pensar nisso baseados nas revoluções que já aconteceram. Em primeiro lugar, uma revolução é uma ruptura na ordem do que é visível, pensável, realizável, o universo do possível. Os movimentos de revolução sempre tiveram a forma de bolas de neve.
A partir do momento em que um poder legítimo se encontra deslegitimizado, parece que não está em condições de reinar pela força, porque caíram todas as estruturas que legitimam a força. Criam-se cenas inéditas, aparecem pessoas que não eram visíveis, pessoas na rua, nas barricadas. As instituições perdem a legitimidade, aparecem novos modos de palavra, novos meios de fazer circular a informação, novas formas da economia, e assim por diante. É uma ruptura do universo sensível que cria uma miríade de possibilidades.
Não penso as revoluções, nenhuma delas, como etapas de um processo histórico, ascensão de uma classe, triunfo de um partido, e assim por diante. Não há teoria da revolução que diga como ela nasce e como conduzi-la, porque, cada vez que ela começa, o que existia antes já não é válido.
Existe uma carta interessante de Marx, um pouco após 1848, quando os socialistas pensavam que as estruturas seriam abaladas mais uma vez. Ele diz que as revoluções não funcionam como os fenômenos científicos normais, são mais como os fenômenos imprevisíveis, os terremotos. Não sabemos como elas vão se comportar. Todas as teorias científicas, estratégicas, das revoluções demonstram isso.

CULT – Não podemos antecipá-las…

Rancière – Podemos prepará-las, mas não antecipá-las. A temporalidade autônoma de uma revolução, os espaços que elas criam não correspondem jamais ao quadro conceitual que temos no início.

CULT – A estratégia da esquerda tradicional é o confronto aberto, o que se opõe à sua teoria de reconfiguração estética da vida política…

Rancière – Temos de pensar na estética em sentido largo, como modos de percepção e sensibilidade, a maneira pela qual os indivíduos e grupos constroem o mundo. É um processo estético que cria o novo, ou seja, desloca os dados do problema.

Os universos de percepção não compreendem mais os mesmos objetos, nem os mesmos sujeitos, não funcionam mais nas mesmas regras, então instauram possibilidades inéditas. Não é simplesmente que as revoluções caiam do céu, mas os processos de emancipação que funcionam são aqueles que tornam as pessoas capazes de inventar práticas que não existiam ainda.
Não sou contra processos cumulativos, claro: se imigrantes ilegais têm capacidade de fazer greves e manifestações em condições perigosas para eles mesmos, isso define um alargamento não só do poder e das capacidades que temos, mas também do mundo no qual inscrevemos nossas ações e nosso pensamento.
A transformação dos mundos vividos é completamente diferente da elaboração de estratégias para a tomada do poder. Se há um movimento de emancipação, há uma transformação do universo dos possíveis, da percepção e da ação, então podemos imaginar como consequência também um movimento de tipo revolucionário, de tomada do poder. É claro que estamos falando do passado, porque o presente não é muito alegre.

CULT – Por que “o presente não é muito alegre”?

Rancière – O presente não é alegre porque não há esperanças fortes, digamos assim, que sustentem os movimentos existentes.
Por exemplo, a recente greve das universidades, que criou algumas formas de manifestação, digamos, particulares: cursos na rua, no metrô, invenções para deslocar para o campo da sociedade como um todo o problema que atinge o ensino superior francês.
Mas todas essas inovações foram completamente isoladas do ponto de vista da informação. O ano de 1968 existiu em parte porque o rádio cobria profundamente o movimento estudantil, sabia-se tudo que acontecia, havia uma geração de jovens repórteres de rádio que fez circular as informações.
Agora, aconteceu o contrário. A mídia aprisionou o movimento universitário numa espécie de paisagem hostil, gente que não entendia, que dizia coisas alucinantes. O partido majoritário de direita (UMP) criou associações de pais de estudantes exigindo o reembolso das inscrições porque os estudantes não tiveram aula. Isso era impensável há dez anos.
As forças da dominação e da exploração aumentaram consideravelmente seus meios de ação. Diante da crise financeira, não vimos nenhum discurso forte e sério contra o capitalismo, só esses pequenos grupos e partidos anticapitalistas com as mesmas ideias de décadas atrás. Nada que trouxesse esperança, movimentos com ideias alternativas a uma concepção hegemônica confrontada com suas próprias contradições.
O presente não é muito alegre porque as forças da dominação e da exploração fizeram progressos consideráveis. Estudei, por exemplo, o movimento operário do século 19, que criou novas formas de associação e de visão do mundo e que resultou em movimentos políticos que, como sabemos, falharam. Mas é certo que o universo dos possíveis foi amplamente reformulado. O povo em manifestação podia algo que não podia antes, diante da realeza.
No mesmo sentido, o operariado adquiriu novos poderes e direitos face aos patrões. As formas de comunicação se comunicam entre elas e criam um universo de circulação de energia, ideias, vontades. Foi muito marcante, em 1968, vermos surgirem de repente, em diversos lugares ao mesmo tempo, formas de contestação e de ação.

É claro que tudo isso caiu com o movimento, mas foi um momento em que os estudantes viram que podiam fazer o mesmo que os operários, e vice-versa. Criaram-se formas de ação completamente imprevistas. O que se transmite são aberturas do campo do possível, não do campo estratégico.

CULT – No interior de sua distinção entre política e polícia, como podemos interpretar o crescimento da vigilância e do controle? Por que fizemos essa escolha, em vez do encontro político?
Rancière – É a lógica do funcionamento dos Estados como instâncias de administração, e dos sistemas midiáticos: trocar a política pela identificação de problemas que precisam ser solucionados. Se não é o conflito que é motor, o motor é uma espécie de patologia da vida política que a administração se propõe a remediar. É o modo de funcionamento do Estado moderno.
De um lado, há uma pretensão ao objetivismo, identificar os problemas e as imperfeições da sociedade, e, de outro lado, precisamente essa espécie de objetivismo idealizado é, essencialmente, uma questão de gestão das opiniões.
Tomando a questão da segurança, qual é o balanço da gestão de Sarkozy, primeiro como ministro do Interior, depois como presidente da República? Um desastre.

Estamos muito menos seguros do que antes. O que está em funcionamento é a gestão da insegurança como um sentimento para agregar as pessoas em torno de um poder que gerencia a segurança.

Resisto muito às teorias paranoicas de “sociedade de controle” que dizem que “somos observados e controlados em todo canto”. No 11 de Setembro, vimos como as pessoas podem passar tranquilamente diante das câmeras de segurança e fazer seu atentado sem serem molestadas. Acredito muito mais na ideia de uma administração ideológica, no sentido tradicional, dos sentimentos, particularmente no que diz respeito à segurança.
Criamos um sentimento de que vivemos na insegurança e precisamos de gestores de segurança. Isso cria uma legitimação de decisões autoritárias que podem se estender a praticamente tudo. No fim, a segurança acaba significando qualquer coisa. A pobreza dos subúrbios, a saúde dos idosos, os “países terroristas” pelo mundo, os poluidores, qualquer coisa.
A segurança vira um sentimento de perigo onipresente, extrapolando a ideia da proteção das “pessoas de bem” contra os maus de qualquer tipo. Isso cria estruturas de gestão estatais e interestatais, que não são necessariamente da ordem do controle minucioso ou do terror, mas de um sentimento flutuante.

Entrevista publicada pela Revista CULT nº 139 – Autoria: Gabriela Longman e Diego Viana.

 

Alan Badiou – Cinema como um emblema democrático (2009)

 

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Por Alain Badiou, via Parrhesia, traduzido por Gabriel Tupinambá

A Filosofia só existe na medida em que existem relações paradoxais, relações que falham em se conectar, ou que não deviam fazê-lo. Quando toda conexão é naturalmente legítima, a Filosofia é impossível ou vã. Filosofia é a violência imposta pelo pensamento às relações impossíveis.


Hoje, que é o mesmo de dizer “após Deleuze”, existe uma requisição clara da filosofia pelo cinema – ou do cinema pela filosofia. É certo, portanto, que o cinema nos oferece relações paradoxais, conexões inteiramente improváveis.

Mas quais?

A resposta pré-formada da filosofia se resume a dizer que o cinema é uma relação insustentável entre artifício total e realidade total. O cinema oferece simultaneamente a possibilidade de uma cópia da realidade e uma dimensão totalmente artificial dessa cópia. Com as tecnologias contemporâneas, o cinema é capaz de produzir o real artifício da cópia de uma falsa cópia do real, ou ainda, a falsa cópia real de um falso real. E outras variações. Isso acarreta dizer que o cinema se tornou a forma imediata (ou “técnica”) de um antigo paradoxo, o das relações entre ser e aparência (que são muito mais fundamentais do que as relações por toda parte faladas entre o virtual e o atual). Nós podemos assim proclamar que o cinema é uma arte ontológica. Muitos críticos, André Bazin em particular, vem dizendo isso há muito tempo.

Eu gostaria de abordar a questão de uma maneira infinitamente mais simples e empírica, removida de toda pré-formação filosófica, começando com a elucidação de um enunciado: o cinema é uma “arte de massas”.

O sintagma “arte de massas” pode ter uma definição elementar: uma arte é uma “arte de massas” se as obras primas, as produções artísticas que a cultura erudita (ou dominante, o que seja) declara incontestáveis, são vistas e apreciadas por milhões de pessoas de todos os grupos sociais no momento mesmo de sua criação.

Adicionar “no momento mesmo de sua criação” é especialmente importante, porque nós sabemos que somos dominados por uma melancolia historicista, que cria um puro efeito de ‘passadismo’. Milhões de pessoas, independentemente de suas condições sociais (com exceção apenas do proletariado, é claro), podem ir à museus, porque elas gostam dos ícones do passado como tesouros, já que a paixão moderna por turismo se estende como uma espécie de turismo de tesouros. Não é desta forma de turismo que eu falo, mas das milhões de pessoas que amam uma obra excepcional no momento mesmo de seu aparecimento. Todavia já temos, na breve história do cinema, exemplos incontestáveis de um tal amor, exemplos que só podem ser comparados aos triunfos das grandes tragédias gregas. Pegue, por exemplo, os grandes filmes de Chaplin. Eles foram vistos por todo o mundo, mesmo nas casas de esquimós, ou projetados em barracas no deserto. Todo mundo imediatamente entendeu que esses filmes falavam da forma profunda e decisiva que eu propus chamar (quando escrevia sobre a prosa de Beckett) de “humanidade genérica”, ou humanidade subtraída de suas diferenças. A personagem do Mendigo, perfeitamente colocado, filmado de maneira frontal, em close, num contexto familiar, é não menos um representante da humanidade genérica “do povo” para um africano, do que para um japonês ou um esquimó.

Seria errado acreditar que esse tipo de exemplo está limitado ao gênero cômico ou burlesco, que sempre foi capaz de refletir a energia vital do povo, a força e a engenhosidade da sobrevivência social. Nós poderíamos com igual facilidade citar um filme extraordinariamente concentrado, de inventividade formal surpreendente, indubitavelmente um dos grandes poemas cinemáticos existentes: Sunrise, de Murnau. Essa pura obra prima foi um sucesso fenomenal nos Estados Unidos, uma espécie de Titanic, sem o sabor industrial.

O cinema é sem dúvidas capaz de ser uma arte para as massas em uma escala que não tem comparação com qualquer outra forma artística. Certamente no século XIX haviam escritores populares, poetas populares: Vitor Hugo na França, por exemplo, ou Pushkin na Russia. Eles tiveram, e ainda tem, milhões de leitores. De qualquer forma, a escala – no momento de sua criação – é incomparável a dos grandes sucessos do cinema.

O ponto é então o seguinte: “arte de massas” fixa uma relação paradoxal. Por quê? Porque “as massas” [“mass”] é uma categoria política, mais precisamente uma categoria da democracia ativista, do comunismo. Os revolucionários russos foram capazes de definir suas ações em termos de um tempo em que “as massas subiram ao palco da História”. Nós usualmente opomos a “democracia das massas” à democracia representativa e constitucional. “As massas” é uma categoria política essencial. Mao disse que “as massas, e somente as massas, são as criadoras da história universal”.

No entanto, “arte”, que é o outro termo do sintagma “arte de massas”, é e só pode ser uma categoria aristocrática. Dizer que “arte” é uma categoria aristocrática não é um julgamento. Nós simplesmente enfatizamos que “arte” implica a ideia de criação formal, de uma novidade visível na história das formas, e que portanto requer os meios de compreender a criação enquanto tal, necessitando uma educação diferenciada, uma proximidade mínima à história da arte em questão e às vicissitudes de sua gramática. Um longo e muitas vezes pouco recompensador aprendizado. Expansão da mente. Prazeres, certamente, mas prazeres que são sofisticados, construídos, adquiridos.

Em “arte de massas” nós temos a relação paradoxal entre um elemento puramente democrático (do lado da irrupção e da energia de um evento) e um elemento aristocrático (do lado da educação individual, de diferentes localidades de gosto).

Todas as artes do século vinte foram vanguardista. A pintura foi uma arte de vanguarda e só cessa de sê-lo no momento crepuscular em que é introduzida em museus. A música foi uma arte de vanguarda, e, desde os dias de Schôenberg, não cessou de assim ser (a menos que chamemos de “música” o gemido da música popular). A poesia existe hoje somente como uma arte de vanguarda. Nós podemos dizer que o século vinte é o século vanguardista. Mas nós podemos também dizer que é o século da maior arte de massas que já existiu.

A forma simples da relação paradoxal: a primeira grande arte que é de massas em sua essência aparece e se desenvolve no tempo que é o tempo das vanguardas. A forma derivada: o cinema impõe relações impraticáveis entre a aristocracia e a democracia, entre invenção e familiaridade, entre novidade e gosto comum. É por essa razão que a filosofia se interessa pelo cinema. Porque ele impõe um complexo vasto e obscuro de relações paradoxais. “Pensar o cinema” se resume a forçar a relação, arranjar os conceitos que, sob a demarcação de filmes reais, mudem as regras estabelecidas da conexão.

Eu acredito, contudo, que houveram cinco grande tentativas de tal deslocamento. Ou antes, cinco maneiras diferentes de adentrar o problema: “pensar o cinema como uma arte de massas”. Primeiramente, através do paradoxo da imagem. Essa é a porta clássica que mencionei no começo: a arte ontológica. A segunda traça o paradoxo do tempo, da visibilidade fílmica do tempo. A terceira examina a diferença do cinema, sua conexão estranha com o sistema estabelecido das belas artes. Colocado de outra forma: o paradoxo da sétima arte. A quarta posiciona o cinema na borda da arte e da não-arte, seu paradoxo sendo o da impuridade artística. A quinta via propõe um paradoxo ético: o cinema como o reservatório das figuras da consciência, como fenomenologia popular de toda situação em que devemos escolher.

Vamos dizer então algumas palavras sobre essas cinco tentativas.

1. Sobre a imagem. Nós diremos que o cinema é uma “arte de massas” porque é o mais alto ponto da antiga arte da imagem, e que a imagem, tão antigamente quanto irmos na história da humanidade, sempre foi cruelmente fascinante. O cinema é o epítome do visual oferecido como semblante. E como não pode haver identificação sem o suporte de semblantes, nós diremos que o cinema é a maestria final do ciclo metafísico das identificações. Salas de cinema, teatros, restaurantes, quartos, até as ruas surpreendem as massas através de uma rede deceptiva de identificações díspares, já que a técnica dos semblantes supera em idade a fábula religiosa e distribui universalmente o troco pequeno do milagre. As massas do cinema são em seu fundamento massas crentes. Assim é a primeira explicação.

2. Sobre o tempo. Esse caminho é fundamental para Deleuze, como também para muitos outros críticos. É tentador pensar que o cinema é uma arte de massas porque transforma tempo em percepção. Nós temos com o cinema o mais poderoso tornar-se-visível do tempo. Ele cria uma sensação temporal distinta do tempo vivido. Mais precisamente, ele transforma “o senso íntimo do tempo” em representação. E é essa lacuna representativa que destina o cinema à imensa audiência daqueles que desejam suspender o tempo no espaço para afastar o destino.

Essa hipótese aproxima o cinema da música, que, em sua forma mais básica, também é uma produção de massa. Mas a música – e novamente música “grandiosa” mais do que música popular – também é uma organização distanciada do tempo. Nós poderíamos dizer muito simplesmente que música torna o tempo audível, enquanto o cinema torna o tempo visível. Certamente, o cinema também torna o tempo audível, já que a música é incorporada ao cinema. No entanto, o que é próprio do cinema, e que foi por muito tempo mudo, é definitivamente tornar o tempo visível. A produção dessa visibilidade é universalmente encantadora. Assim é a segunda explicação.

3. A série das artes. Está claro que o cinema toma das outras artes tudo o que é popular, tudo o que poderia, uma vez isolado, filtrado, separado de seus requisitos aristocráticos, ser destinado às massas. A sétima arte pega emprestado das outras seis o que nelas mais explicitamente aponta para a humanidade genérica.

Por exemplo, o que é que o cinema retêm da pintura? A pura possibilidade de transformar a beleza sensível do mundo em imagem reproduzível. Ela não aproveita a técnica intelectual da pintura. Ela não aproveita os complicados modos de representação e formalização. Ela retêm uma relação sensível e emoldurada com o mundo externo. Nesse sentido, o cinema é uma pintura sem pintura. Um mundo pintado sem tinta.

O que o cinema retêm da música? Não as dificuldades extremas da composição musical, não o arranjo sutil da verticalidade harmônica e da horizontalidade temática, nem mesmo a química do timbre. O que é importante para o cinema é que a música, ou seu fantasma rítmico, escore os acontecimentos do visível. O que ele impõe por toda parte – hoje em dia até mesmo no cotidiano – é uma certa dialética entre o visível e o audível. Preencher toda existência representável com uma pasta musical é o imenso trabalho do cinema. Nós regularmente sucumbimos à emoção provocada pela estranha mistura de música e existência, uma subjetivização musical, um acompanhamento melodioso para o drama, uma pontuação orquestral para o cataclisma…Tudo isso insere na representação uma música sem música, uma música liberada dos problemas musicais, uma música emprestada e devolvida ao seu pretexto narrativo ou subjetivo.

O que o cinema retêm do romance? Não as complexidades da formação subjetiva, nem os recursos infinitos da montagem literária, nem a restituição lenta e original dogosto de uma era. Não, aquilo de que o cinema tem uma necessidade obsessiva e insaciável, e que em seu nome ele incessantemente furta da literatura universal, é a fábula, a narrativa, que ele renomeia de “roteiro”. O imperativo do cinema – artístico ecomercial, indivisivelmente, já que é uma arte de massas – é o de contar grandes estórias, estórias que possam ser entendidas por toda a humanidade.

O que o cinema retêm do teatro? O ator, a atriz, o charme, a aura do ator e da atriz. Ao separar essa aura dos poderes do texto literário, tão fundamental ao teatro, o cinema transformou atores e atrizes em estrelas. Essa é uma possível definição do cinema: um meio de transformar o ator numa estrela.

É absolutamente verdade que o cinema pega algo de cada uma das outras artes. Mas a operação dessa apropriação é complexa, porque ela pega um elemento comum e acessível de suas sofisticadas condições artísticas. O cinema abre todas as artes, ele enfraquece sua qualidade complexa, composta e aristocrática. Ele transmiti essa abertura simplificada às imagens de existência unânime. Como pintura sem pintura, música sem música, romance sem sujeitos, teatro reduzido ao charme dos atores, o cinema garante a popularização de todas as artes. É por isso que sua vocação é universal. Assim é a terceira hipótese: a sétima arte é uma arte de massas porque ela é a democratização ativa das outras seis.

4. Impuridade. Examinemos diretamente a relação entre arte e não-arte no cinema. Nós seremos então capazes de afirmar que o cinema é uma arte de massas porque ele está sempre no limite da não-arte. O cinema é uma arte particularmente carregadacom não-arte. Uma arte sempre investida de formas vulgares. O cinema está, por causa de um grande número de seus ingredientes, sempre abaixo da arte. Mesmo os seus mais óbvios sucessos artísticos compreendem uma infinidade imanente de ingredientes desprezíveis, de óbvios pedaços de não-arte. Nós podemos afirmar que em cada estágio de sua breve existência, o cinema explorou a fronteira entre arte e o que não é arte. Ele se coloca nessa fronteira. Ele incorpora novas formas de existência, sejam elas arte ou não arte, e faz uma certa seleção, embora essa seleção não esteja nunca completa. Por isso, em qualquer filme, mesmo na mais pura obra prima, você pode encontrar um grande número de imagens banais, material vulgar, estereótipos, imagens vistas cem vezes em outros lugares, coisas que não são do menor interesse.

Bresson era particularmente incomodado por essa resistência do não-ser artístico. Ele desejava arte pura e chamava essa pureza de “escrita cinematográfica”. Mas sem sucesso. Também em Bresson tem-se que aguentar o pior do visível, a invasão incompreensível da baixeza dos tempos. Tão essencial quanto involuntária, essa impureza não impede que muitos filmes de Bresson sejam obras primas. Eles simplesmente mostram que a arte cinemática pode ser uma arte de massas. Porque você pode entrar na arte do cinema através daquilo que, sempre presente em abundância, não é arte. Enquanto que, nas outras artes, é o caminho contrário. Você só pode acessar sua parte não artística, seus fracassos, através da arte, da grandiosidade da arte. Nós podemos dizer que no cinema é possível ascender. Você pode começar das suas representações mais comuns, da sua sentimentalidade mais nauseante, da sua vulgaridade, até mesmo da sua covardice. Você pode ser um espectador completamente ordinário. Você pode ter o mau gosto no seu acesso, na sua entrada, na sua disposição inicial. Isso não impede que o filme te permita ascender. Talvez você alcance coisas poderosas e refinadas. Mas você não será pedido que você volte. Enquanto que em outras artes você sempre tem o medo da queda. Essa é a grande vantagem democrática do cinema: você pode ir ao cinema numa noite de sábado, para descansar, e inesperadamente ascender. Aristóteles disse que se nós fazemos o bem, o prazer virá “como um presente”. Quando nós vemos um filme, não raramente é o contrário: nós sentimos um prazer imediato, frequentemente suspeito (graças a onipresença da não-arte), e o Bem (da arte) vem como um bônus inesperado.

No cinema nós vamos em direção ao puro através do impuro. Esse não é o caso com as outras artes. Você poderia deliberadamente ir ver uma pintura ruim? A pintura ruim é a pintura ruim, há pouca esperança que ela se transforme em algo bom. Você não ascenderá. Do simples fato de que você está lá, perdido em meio a pinturas ruins, você está caindo, você é um aristocrata em dificuldades. Enquanto que no cinema você é sempre mais ou menos um democrata em ascensão. E aí se encontra a relação paradoxal. A relação paradoxal entre aristocracia e democracia, que é finalmente uma relação interna entre arte e não-arte. E isso é também o que politiza o cinema: ele opera na junção entre as opiniões ordinárias e o trabalho do pensamento. Uma junção sutil que você não encontrará em nenhum outro lugar.

Assim é a quarta hipótese: o cinema é uma arte de massas porque ele democratiza o movimento pelo qual a arte puxa a si mesma através da não-arte, desenhando nesse movimento uma fronteira, fazendo da impureza a coisa ela mesma.

5. Figuras éticas. O cinema é uma arte de figuras. Não só figuras de espaço visível e de lugares ativos. Ele é antes de mais nada uma arte das grandes figuras da humanidade ativa. Ele propõe uma espécie de estado universal da ação e seu confronto com os valores comuns. Afinal, o cinema é o último lugar povoado por heróis. Nosso mundo é tão comercial, tão familiar, tão sem heroísmos…No entanto, mesmo hoje ninguém imaginaria o cinema sem as grandes figuras morais, sem a grande batalha americana entre o Bem e o Mal. Aqui, mesmo os gangsters não são mais nada senão casos de consciência, decisões redentoras, abolição sincera da Maldade. A mais sórdida crueldade é um caminho tortuoso da razão rumo à iluminação didática. O lado dos policiais não é melhor. Entre eles, inspetores angelicais, hoje em dia normalmente mulheres, mantém a guarda. O ridículo dessas fábulas, sua impureza dogmática, sua hipocrisia suja, de forma alguma as impede de possuir algo de admirável. Tão admirável quanto as tragédias gregas poderiam ser, o cinema da Antiguidade, do qual nós temos a mais nobre, porém falsa, ideia, já que os inumeráveis fracassos que passaram pelos anfiteatros não chegaram a nós. Nós só temos alguma dúzia de obras primas, algo como três Murnaus, um Lang, dois Eisensteins, quatro Griffiths e seis Chaplins. Assim nós não vemos a impuridade e a massiva banalidade desses espetáculos. Mas nós podemos recontar seu fim comum: apresentar a uma imensa audiência as típicas e excessivas figuras de todos os grandes conflitos da vida humana. Falar de guerra, de paixão, de justiça e injustiça, da verdade, com, por material ordinário, todas as histórias implausíveis de velhos gatunos, de mulheres envenenadoras e reis loucos. O cinema também nos fala de coragem, justiça, paixão, traição. E os grandes gêneros do cinema, as formas mais codificadas, como o melodrama, o velho-oeste e a “opera espacial”, são precisamente gêneros éticos, isso é, gêneros que se remetem à humanidade por oferecer uma mitologia moral.

Nós sabemos que a filosofia começou como uma vasta discussão com a tragédia, com o teatro, com a impuridade do visível e das artes performáticas. Os interlocutores essenciais de Platão estavam no palco, e incluídos nessa ampla visibilidade retórica estavam o palco público, a assembleia democrática, a performance dos sofistas. Nós não devemos nos surpreender hoje, quando a filosofia é, de forma crescente em sua atividade, uma discussão com o cinema. Porque o cinema e seus derivativos, incluindo a televisão, representam em uma escala humana, após a Tragédia e a Religião, a terceira tentativa histórica da subjugação espiritual do visível, disponível à todos, sem exceção ou medida. Também presentes nesse encontro, os políticos democráticos e seus conselheiros sofistas, renomeados “consultores de relações públicas”. A tela se tornou seu teste supremo. A questão mudou somente de destinatário: Ela é: “se existe uma técnica suprema do semblante, e se essa técnica, quando é o cinema, é também capaz de produzir uma arte de massas, que torção, que metamorfose essa arte impõe naquilo em que a filosofia suporta a si mesma, e que tem o nome de “verdade”?”

Platão procurou uma resposta na mimesis transcendente. Ao semblante figurativo, nós iremos opor tudo aquilo que mostra a si mesmo à Ideia que não mostra a si mesma. Esse gesto requeria o suporte daquilo que se subtrai do semblante: as matemáticas da perfeição finita, números e figuras. Nós iremos antes procurar por aquilo que no visível excede sua visibilidade, amarrando o semblante ao imanente mas eterno registro de sua forma infinita. A matemática da perfeição infinita também é necessária: conjuntos, topologias, roldanas.

Então, assim como Platão dominou o semblante com alegorias, salvando a imagem no lugar mesmo da Verdade com seus “mitos” imortais, nós podemos da mesma maneira ter esperanças que o cinema seja superado pelo próprio cinema. Após a filosofia do cinema precisa vir – já está vindo – filosofia como cinema, que consequentemente terá a oportunidade de ser uma filosofia de massas.

*Alain Badiou é professor de filosofia na Ecole Normale Supérieure e no College International de Philosophie em Paris. Somado a muitos romances, peças, e ensaios políticos, ele publicou alguns trabalhos maiores em filosofia, incluindo Teoria do Sujeito e Ser e Evento. A sequência para Ser e Evento foi recentemente traduzida para o inglês como Lógicas dos Mundos.

Crítica: Sexo, Pregações e Política, de Aude Chevalier-Beaumel e Michael Gimenez (2016)

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SEXO, PREGAÇÕES E POLÍTICA, de Aude Chevalier-Beaumel e Michael Gimenez
72min, 2016, RJ

Sexo, Pregações e Política trata de um tema importante, o aborto. Para isso, mostra uma batalha em curso no Brasil: fundamentalistas religiosos contra políticos de esquerda, mais esclarecidos. Um dos problemas é como o discurso do filme é construído, ora manipulador (como os políticos irracionais), ora superficial, deixando pontas a costurar e não oferecendo saída (resolução, síntese) de um quadro desesperador.

Já no início fica claro que a voz destinada a cada parte será controlada: deputados-pastores aparecem fazendo uma pergunta retórica “quem matou Jandira?”, como se não soubessem responder; enquanto, no outro lado, Jean Wyllys faz uma afirmação racional, lógica, criando um abismo de razão entre as partes – um argumento coerente contra um ininteligível. O problema é que do lado religioso, que lida com o emocional, não se trata de ter razão, de dar argumentos convincentes, e sim da própria aparição, que é a moeda de troca de tais personas. Falar mediocridades e ter espaço, mesmo num filme contrário a tais pensamentos e que os poderia refutar no nível do discurso (mas não o faz), vale apenas como ter o espaço. Nesse âmbito o filme se torna uma espécie de cúmplice, pois tem em sua matéria fílmica tais discursos ininteligíveis e não se esforça em compreendê-los, desconstruí-los – e apenas chocar com discursos compreensíveis não dissipa suas incoerências. Faz-se perguntar: “o que o filme quer quando mostra tais discursos?”. Pois tais trechos se mostram confusos: não explicitam o cerne da questão, nem ajudam a esclarecer o porquê de tais discursos serem descabidos – o filme acredita numa auto-ironia que tais partes não contém. O filme diz: “é contra isso que lutamos” sem saber como lutar (ainda no nível do discurso).

Victor Guimarães fala sobre ruralistas e a situação que os envolve em Martírio (Vincent Carreli, 2016): “um poder que atingiu um grau tal de autoconsciência e cinismo que já não se vê obrigado a argumentar, embarcando de bom grado em uma espiral grotesca de autoafirmação publicitária.” Tal trecho caberia perfeitamente aos religiosos reacionários em Sexo, Pregações e Política. O grotesco, suscitando emoção (repugnância aos contrários, afeto destrutivo aos favoráveis), é seu modus operandi. Mas aí, estamos num dualismo limitador. Não seria de se espantar que um fiel de tais religiosos veria o filme louvando os momentos em que eles aparecem e desprezaria o resto. E vice-versa.

Se em um momento a própria ação ganha contornos críticos (como fiéis pagando as missas com cartão de crédito) pelo absurdo da coisa, para tal universo seria apenas um ato normal. Além disso, como falta ambiguidade na fala dos pastores, corrobora-se com seus discursos, que são guiados por conceitos imprecisos, passionais, e dessa maneira, irrefutáveis (no filme como ele é) pois as bases de tal refutação estariam numa quebra da fé alheia, passível de inúmeras discussões quanto ao resultado. Exemplo: um tal Silas (que, mesmo não sendo político de carteirinha, oferece apoio aos da sua laia) não sabe argumentar racionalmente. Mas sua fala é como um sermão e fica difícil discernir o pastor de um cidadão, de modo que tais figuras se confundem. Em outro momento, temos algo como os ‘piores momentos’ de um tal Jair. Tal montagem o ajuda, pois é dessa aparição repugnante, construída, calculada, que vive e mantém sua fama – e assim, da ingenuidade de mostrar os dois lados, o filme dá um tiro no pé. Além disso, o filme não lança mão de procedimentos mais cirúrgicos, que mostre o quadro de maneira mais ampla e com todas as suas controvérsias e falácias envolvidas.

Se ao fim o filme cria liga, mostrando o estado como assassino e como se ligam os conflitos de opinião com um conflito maior (o impedimento com machismo envolvido), por fim,  ele é trágico, quase sádico, pois está submerso nesse mar e não se livra desse trauma; exibe um monstro sem oferecer uma luz. Se o sono na política produz monstros, no cinema (re)produz apenas a superfície, por vezes opaca. Aqui o cinema precisaria ser mais furadeira que radar. Pois o filme não ilumina, dá um retrato mas não se aprofunda no contexto, não tenta dissipar incongruências (como neste editorial). As aparências, mais que problemáticas, continuam ilesas. Ganha o status quo.

10 Filmes Brasileiros do Coração – Filme Cultura 53

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Na edição nº 53, a revista convidou 102 críticos, pesquisadores e cineastas para montarem suas listas dos “10 Filmes Brasileiros do Coração”

Eis a lista:

Adilson Marcelino, editor dos sites Mulheres no Cinema Brasileiro e Revista Zingu – Samba em Brasília, 1960, Watson Macedo. Cabra marcado para morrer, 1964/84, Eduardo Coutinho. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O império do desejo, 1978, Carlos Reichenbach. Eu matei Lúcio Flávio, 1979, Antonio Calmon. Eros, o deus do amor, 1981, Walter Hugo Khouri. Romance da empregada, 1987, Bruno Barreto. Baixo Gávea, 1986, Haroldo Marinho Barbosa. Sonho de valsa, 1987, Ana Carolina. Meu mundo em perigo, 2009, José Eduardo Belmonte.

Alessandro Giannini, crítico e editor do site Uol Cinema – Anjos do arrabalde, 1987, Carlos Reichenbach. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Baile perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. Edifício Master, 2002, Eduardo Coutinho. O grande momento, 1958, Roberto Santos. O invasor, 2002, Beto Brant. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person.

Alfredo Sternheim, crítico e cineasta – Floradas na serra, 1954, Luciano Salce. Viagem aos seios de Duília, 1964, Carlos Hugo Christensen. O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga. Fragmentos da vida, 1929, José Medina. Na Garganta do Diabo, 1960, Walter Hugo Khouri. Os cafajestes, 1962, Ruy Guerra. Saneamento básico – o filme, 2007, Jorge Furtado. Estômago, 2007, Marcos Jorge. Menino de Engenho, 1965, Walter Lima Júnior. A moreninha, 1971, Glauco Mirko Laurelli.

Amir Labaki, crítico e curador do festival É Tudo Verdade – São Paulo S/A, 1965, Luis Sérgio Person. Ato de violência, 1980, Eduardo Escorel. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Dona Flor e seus dois maridos, 1976, Bruno Barreto. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Simão, o caolho, 1952, Alberto Cavalcanti. Jango, 1984, Silvio Tendler. O grande momento, 1957, Roberto Santos. Os saltimbancos Trapalhões, 1981, J. B. Tanko.

Andrea Ormond, crítica e pesquisadora – À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. A mulher que inventou o amor, 1979, Jean Garrett. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. O império do desejo, 1978, Carlos Reichenbach. Marcelo Zona Sul, 1970, Xavier de Oliveira. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Perdida, 1976, Carlos Alberto Prates Correia. A rainha diaba, 1974, Antonio Carlos Fontoura. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Um homem sem importância, 1971, Alberto Salvá.

André Gatti, pesquisador e professor – Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Limite, 1931, Mário Peixoto. O cangaceiro, 1953, Lima Barreto. Nem Sansão nem Dalila, 1955, Carlos Manga. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles.

André Setaro, crítico e professor – Deus e o diabo na terra do sol, 1964. Glauber Rocha. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Limite, 1931, Mário Peixoto. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Absolutamente certo, 1958, Anselmo Duarte. Tocaia no asfalto, 1962, Roberto Pires. Todas as mulheres do mundo, 1966, Domingos Oliveira. Um ramo para Luísa, 1964, J. B. Tanko. Lílian M – Relatório confidencial, 1975, Carlos Reichenbach.

Antonio Rodrigues, pesquisador da Cinemateca Portuguesa – Limite, 1931, Mário Peixoto. Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Os inconfidentes, 1972, Joaquim Pedro de Andrade. Todas as mulheres do mundo, 1966, Domingos de Oliveira. Uirá, um índio em busca de Deus, 1973, Gustavo Dahl. Copacabana me engana, 1968, Antonio Carlos Fontoura. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Mulher, 1931, Otávio Gabus Mendes. Santiago, 2007, João Moreira Salles.

Bernadette Lyra, professora e pesquisadora – Limite, 1931, Mário Peixoto. Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. A margem, 1967, Ozualdo Candeias. Os paqueras, 1969, Reginaldo Faria. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Bye bye, Brasil, 1980, Carlos Diegues. Brás Cubas, 1985, Júlio Bressane. Carlota Joaquina, princesa do Brasil, 1995, Carla Camurati. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. Mangue negro, 2008, Rodrigo Aragão.

Bernardo Oliveira, professor e crítico – Virou bagunça, 1960, Watson Macedo. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. Sem essa aranha, 1970, Rogério Sganzerla. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1970, José Mojica Marins. Orgia ou O homem que deu cria, 1970, João Silvério Trevisan. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. O segredo da múmia, 1982, Ivan Cardoso, SuperOutro, 1989, Edgard Navarro. Jogo de Cena, 2007, Eduardo Coutinho.

Bruno Safadi, cineasta – Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Aitaré da Praia, 1925, Gentil Ruiz. Zona Rio Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Limite, 1931, Mário Peixoto. Memórias de um estrangulador de louras, 1971, Júlio Bressane. Amor, carnaval e sonhos, 1972, Paulo César Saraceni. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr.

Cao Guimarães, cineasta e artista plástico – Limite, 1931, Mário Peixoto. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Viajo por que preciso, volto por que te amo, 2009, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha.

Carlos Alberto Mattos, crítico, membro da redação de Filme Cultura – Brasília segundo Feldman, 1979, Vladimir Carvalho e Eugene Feldman. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Esta não é a sua vida, 1991, Jorge Furtado. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Lavoura arcaica, 2001, Luiz Fernando Carvalho. Limite, 1931, Mário Peixoto. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Sudoeste, 2010, Eduardo Nunes (inédito). Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos.

Carlos Augusto Brandão, pesquisador e diretor da Fipresci – Vidas secas, 1964, Nelson Pereira dos Santos. Limite, 1931, Mário Peixoto. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Tropa de elite, 2007, José Padilha. O invasor, 2002, Beto Brant. O país de São Saruê, 1971, Vladimir Carvalho. A hora da estrela, 1985, Suzana Amaral. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1965, Roberto Santos. Cabra marcado para morrer, 1985, Eduardo Coutinho.

Carlos Eduardo Pereira (Cadu), pesquisador da Cinemateca do MAM-RJ – Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. O império do desejo, 1981, Carlos Reichenbach. O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Fome de amor, 1968, Nelson Pereira dos Santos. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Sonho de valsa, 1987, Ana Carolina. Filme de amor, 2003, Júlio Bressane. Navalha na carne, 1969, Braz Chediak. Betão Ronca Ferro, 1970, Geraldo Miranda e Pio Zamuner.

Carlos Primati, pesquisador e editor da revista e blog Cine Monstro – O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1970, José Mojica Marins. A força dos sentidos, 1978, Jean Garrett. O anjo da noite, 1974, Walter Hugo Khouri. À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. Baixio das Bestas, 2006, Cláudio Assis. Amadas e violentadas, 1975, Jean Garrett. O estranho mundo de Zé do Caixão, 1968, José Mojica Marins. Os monstros de Babaloo, 1971, Elyseu Visconti. Os Famosos e os Duendes da Morte, 2009, Esmir Filho. A encarnação do demônio, 1981, José Mojica Marins. Tormenta, 1982, Uberto Mollo. O sósia da morte, 1975, Luís Miranda Correia e João Ramiro Mello. Fica comigo esta noite, 2006, João Falcão. O escorpião escarlate, 1990, Ivan Cardoso. Faca de dois gumes, 1989, Murilo Salles. Mistéryos, 2008, Beto Carminatti e Pedro Merege. Morgue story: sangue, baiacu e quadrinhos, 2009, Paulo Biscaia Filho. Mangue negro, 2008, Rodrigo Aragão. Amei um bicheiro, 1951, Jorge Illeli e Paulo Vanderley. Os sóis da ilha de Páscoa, 1972, Pierre Kast.

Carlos Reichenbach, cineasta – São Paulo S/A, 1965, Luis Sergio Person. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos. Bang Bang, 1970, Andrea Tonacci. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1969/82, de José Mojica Marins. O pornógrafo, 1970, João Callegaro. O viajante, 1999, Paulo Cesar Saraceni. Perdida, 1975, Carlos Alberto Prates Correia. Os sermões, 1990, Júlio Bressane. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O som ou tratado da harmonia, 1984, Arthur Omar. A grande cidade, 1965, Carlos Diegues. Sertão em festa, 1970, Oswaldo de Oliveira. Chico Viola não morreu, 1955, Román Vañoly Barreto. Pecado na sacristia, 1975, Miguel Borges. Ovelha negra/Despedida de solteiro, 1974, Haroldo Marinho Barbosa .

Cássio Starling Carlos, crítico – A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Anjos do arrabalde, 1978, Carlos Reichenbach. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Eu te amo, 1981, Arnaldo Jabor. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Boca de Ouro, 1962, Nelson Pereira dos Santos. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. O céu de Suely, 2006, Karim Aïnouz.

Cavi Borges, cineasta e dono da locadora Cavídeo – Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. O céu de Suely, 2006, Karim Aïnouz. Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. Tropa de elite 2, 2010, José Padilha. Edifício Master, 2002, Eduardo Coutinho. 5xFavela – agora por nós mesmos, 2010, diversos diretores. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Riscado, 2010, Gustavo Pizzi.

César Guimarães, professor e pesquisador – Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Claro, 1975, Glauber Rocha. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Serras da Desordem, 2006, Andrea Tonacci. Corumbiara, 2006, Vincent Carelli. O céu de Suely, 2006, Karim Aïnouz.

César Zamberlan, crítico e editor do site Cinequanon – Virou bagunça, 1960, Watson Macedo. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1970, José Mojica Marins. Orgia ou O homem que deu cria, 1970, João Silvério Trevisan. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. O segredo da múmia, 1982, Ivan Cardoso. SuperOutro, 1989, Edgard Navarro. Jogo de Cena, 2007, Eduardo Coutinho.

Cezar Migliorin, crítico e professor – Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. Carlota Joaquina, 1995, Carla Camurati. Pixote, 1981, Hector Babenco. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Nelson Sargento, 1987, Estevão Ciavatta. Bar Esperança, 1983, Hugo Carvana. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. O casamento, 1975, Arnaldo Jabor.

Cid Nader, crítico e editor do site Cinequanon – A marvada carne, 1987, André Klotzel. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Iracema, uma transa amazônica, 1976, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Blá blá blá, 1975, Andrea Tonacci. Anjos do arrabalde, 1978, Carlos Reichenbach. Bye Bye Brasil, 1980, Carlos Diegues. Noites paraguayas, 1982, Aloysio Raulino. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Limite, 1931, Mário Peixoto.

Cláudio Carvalho, crítico – Limite, 1931, Mário Peixoto. O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. Bonitinha mas ordinária, 1981, Braz Chediak. Bicho de sete cabeças, 2001, Laís Bodanzky. Dona Flor e seus dois maridos, 1976, Bruno Barreto. As melhores coisas do mundo, 2010, Laís Bodanzky. Tropa de elite, 2007, José Padilha. O homem que desafiou o diabo, 2007, Moacyr Góes. O homem que copiava, 2003, Jorge Furtado.

Cléber Eduardo – crítico da revista Cinética e professor – A lista de 10 filmes brasileiros, abaixo, é uma lista puramente afetiva, que, se feita com outros critérios, seria alterada parcialmente, mas apenas parcialmente. Afetiva porque cada um desses filmes, vistos mais de uma vez, quando vistos na primeira aproximação, causaram espécie de descarga, de choque, como um imã a solicitar mais conhecimento. Mais conhecimento não é mais intimidade, mas um processo de descoberta, sem a distância de um racionalismo crítico, também possível de ser uma forma de relação com esse filme. No entanto, é uma lista sem razão, com a lógica dos sentimentos, concentrada nos anos 60 e interrompida nos anos 80, menos por reação ao cinema dos últimos 25 anos, mais porque foram com esses filmes que fui me interessando com afeto por filmes de momentos anteriores à minha vivência contemporânea do cinema no Brasil.
Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. A opinião pública, 1967, Arnaldo Jabor. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Todas as mulheres do mundo, 1966, Domingos de Oliveira. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. A menina do lado, 1987, Alberto Salvá. Bang Bang, 1969, Andrea Tonacci. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Mato eles?, 1982, Sérgio Bianchi. Barbosa, 1988, Ana Luisa Azevedo e Jorge Furtado.

Daniel Caetano, membro da redação de Filme Cultura – Minha lista tem lado A e lado B, como os velhos LPs:
Lado A – A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Flamengo paixão, 1980, David Neves. O império do desejo, 1981, Carlos Reichenbach. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci.
Lado B – Alma corsária, 1993, Carlos Reichenbach. O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos. O bom marido, 1978, Antonio Calmon. O fim e o princípio, 2005, Eduardo Coutinho. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. O palhaço Xupeta, 1996, André Luís Sampaio e Carlos Sanchez. Por dentro do cinema novo – minha viagem, Editora Nova Fronteira, 1993, Paulo César Saraceni (Esse livro é filme!). Terra em transe, 1967, Glauber Rocha.

Daniel Filho, ator, diretor e produtor – Dona Flor e seus maridos, 1976, Bruno Barreto. Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. O grande momento, 1957, Roberto Santos. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Rio 40º, 1955, Nelson Pereira dos Santos. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Pixote, 1981, Hector Babenco. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman. Toda nudez será castigada, 1973, Arnaldo Jabor.

Denílson Lopes, professor e pesquisador – Nunca fomos tão felizes, 1974, Murilo Salles. O céu de Suely, 2006, Karim Aïnouz. Crônica da casa assassinada, 1971, Paulo César Saraceni. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. Anjos da noite, 1987, Wilson Barros. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Memória de Helena, 1969, David Neves. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Aqueles dois, 1985, Sergio Amon. A dama do Cine Shangai, 1987, Guilherme de Almeida Prado.

Eduardo Escorel, cineasta e crítico da revista Piauí – Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. O poeta do Castelo, 1959. Joaquim Pedro de Andrade. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Memórias do cárcere, 1984, Nelson Pereira dos Santos. Imagens do inconsciente, 1987, Leon Hirszman. A marvada carne, 1987, André Klotzel. Baile perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Nelson Freire, 2003, João Moreira Salles. Jogo de cena, 2007, Eduardo Coutinho.

Evaldo Mocarzel, jornalista e cineasta – Limite, 1931, Mário Peixoto. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Triste trópico, 1974, Arthur Omar. Toda nudez será castigada, 1973, Arnaldo Jabor. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Mar de rosas, 1977, Ana Carolina. Alma corsária, 1993, Carlos Reichenbach.

Fabián Nuñez, professor e pesquisador – Os Trapalhões no rabo do cometa, 1986, Dedé Santana. Dias melhores virão, 1989, Carlos Diegues. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Lábios sem beijos, 1930, Humberto Mauro. Amei um bicheiro, 1952, Jorge Ileli e Paulo Wanderley. As aventuras amorosas de um padeiro, 1975, Waldir Onofre. A viúva virgem, 1972, Pedro Carlos Rovai. Um homem sem importância, 1971, Alberto Salvá. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha.

Fábio Andrade, crítico e editor do site Cinética – Limite, 1931, Mário Peixoto. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Moscou, 2009, Eduardo Coutinho. Meteorango Kid, 1969, Andre Luís Oliveira. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos Oliveira. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Lilian M, 1975, Carlos Reichenbach. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos.

Felipe Bragança, crítico e cineasta – A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. O grande momento, 1958, Roberto Santos. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. A margem, 1967, Ozualdo Candeias. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Memórias de um estrangulador de louras, 1971, Júlio Bressane. SuperOutro, 1989, Edgard Navarro. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. Santo Forte, 1999, Eduardo Coutinho.

Fernando Secco, crítico e editor do site Moviola – Ladrões de cinema, 1977, Fernando Coni Campos. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. Edificio Master, 2002, Eduardo Coutinho. Filme de amor, 2003, Júlio Bressane. Serras da Desordem, 2006, Andrea Tonacci. Os Trapalhões na terra dos monstros, 1989, Flávio Migliaccio. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Jogo de cena, 2007, Eduardo Coutinho.

Fernando Veríssimo, crítico e jornalista do site Filme B – À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. Ainda agarro essa vizinha, 1974, Pedro Rovai. Dois Córregos, 1999, Carlos Reichenbach. Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Guerra conjugal, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Histórias que nossas babás não contavam, 1979, Oswaldo de Oliveira. Mauá, o imperador e o rei, 1999, Sérgio Rezende. O casamento, 1976, Arnaldo Jabor. O matador profissional, 1969, Jece Valadão. Rio Babilônia, 1982, Neville d’Almeida. SuperOutro, 1989, Edgar Navarro. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha.

Filipe Furtado, crítico – Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. O prisioneiro da grade de ferro, 2004, Paulo Sacramento. O vampiro da cinemateca, 1977, Jairo Ferreira. Filme demência, 1986, Carlos Reichenbach. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. O jogo da vida, 1977, Maurice Capovilla. SuperOutro, 1986, Edgar Navarro. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. A velha a fiar, 1964, Humberto Mauro.

Francis Vogner dos Reis, crítico – Alma corsária, 1993, Carlos Reichenbach. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1970, José Mojica Marins. SuperOutro, 1989, Edgar Navarro. Meu nome é Tonho, 1969, Ozualdo Candeias. Sangue mineiro, 1930, Humberto Mauro. Amada amante, 1978, Cláudio Cunha. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla.

Francisco César Filho, cineasta e curador de mostras – A velha a fiar, 1964, Humberto Mauro. Alma corsária, 1993, Carlos Reichenbach. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. Limite, 1931, Mário Peixoto. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Um céu de estrelas, 1996, Tata Amaral.

Gabriel Carneiro, crítico e editor do site Revista Zingu – Dois Córregos, 1999, Carlos Reichenbach. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1969, José Mojica Marins. Noite vazia, 1964, Walter Hugo Khouri. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. A dama do Cine Shanghai, 1988, Guilherme de Almeida Prado. Alma corsária, 1993, Carlos Reichenbach. Rio, Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. É proibido beijar, 1954, Ugo Lombardi. Pureza proibida, 1974, Alfredo Sternheim.

Gelson Santana, professor e pesquisador – Matar ou correr, 1954, Carlos Manga. A margem, 1967, Ozualdo Candeias. Os paqueras, 1969, Reginaldo Faria. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Bye bye, Brasil, 1980, Carlos Diegues. Brás Cubas, 1985, Júlio Bressane. Carlota Joaquina, princesa do Brasil, 1995, Carla Camurati. Amélia, 2000, Ana Carolina. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. Mangue negro, 2008, Rodrigo Aragão.

Geraldo Veloso, crítico, pesquisador e cineasta – Rio, Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Boca de ouro, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Menino de engenho, 1965, Walter Lima Júnior. Memória de Helena, 1969, David Neves. O bravo guerreiro, 1969, Gustavo Dahl. O desafio, 1965, Paulo César Saraceni. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Cabezas cortadas, 1970, Glauber Rocha. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. Triste trópico, 1974, Arthur Omar. Cabaré mineiro, 1980, Carlos Alberto Prates Correia. Perdida, 1976, Carlos Alberto Prates Correia. Os fuzis, 1964, Ruy Guerra. Absolutamente certo, 1957, Anselmo Duarte. Vidas secas, 1963 e Memórias do cárcere, 1984, Nelson Pereira dos Santos. Jardim de guerra, 1970, Neville d’Almeida. Bang Bang, 1970, Andrea Tonacci. Copacabana me engana, 1968, Antônio Carlos Fontoura. A vida provisória, 1968, Maurício Gomes Leite. Fulaninha, 1986, David Neves. São Paulo S.A., 1965, Luís Sérgio Person.

Gilberto Santeiro, curador da Cinemateca do MAM-RJ – Tesouro perdido, 1927, Humberto Mauro. Alô,alô, carnaval!, 1936, Adhemar Gonzaga. Destino em apuros, 1954, Ernesto Renani. Alegria de viver, 1958, Watson Macedo. Kirongozi, mestre caçador, 1956, Geraldo Junqueira de Oliveira, Super beldades, 1962, Konstantin Tkaczenko. A grande cidade, 1966, Carlos Diegues. Ovelha negra/Despedida de solteiro, 1974, Haroldo Marinho Barbosa. A família do barulho, 1970, Júlio Bressane. O signo do caos, 2005, Rogério Sganzerla.

Gilberto Silva Jr, crítico – Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O império do desejo, 1981, Carlos Reichenbach. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Guerra conjugal, 1975, Joaquim Pedro. O ritual dos sádicos/O despertar da besta, 1970, José Mojica Marins. Bar Esperança, 1983, Hugo Carvana. Roberto Carlos em ritmo de aventura, 1968, Roberto Farias. O Trapalhão nas minas do rei Salomão, 1977, J. B. Tanko. O bem dotado/O homem de Itu, 1978, José Miziarra. Bonitinha mas ordinária, 1981, Braz Chediak.

Hernani Heffner, conservador da Cinemateca do MAM-RJ, pesquisador e professor – O grande momento, 1957, Roberto Santos. Anjos da noite, 1987, Wilson Barros. O velho e o novo, 1967, Maurício Gomes Leite. Yansan, 2006, Carlos Eduardo Nogueira. As aventuras amorosas de um padeiro, 1975, Waldyr Onofre. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. Meteorango Kid, 1969, André Luís Oliveira. Os óculos do vovô, 1913, Francisco Santos. Bonequinha de Seda, 1936, Oduvaldo Vianna. De vento em popa, 1957, Carlos Manga.

Inácio Araújo, roteirista e crítico de cinema da Folha de São Paulo – Meu nome é Tonho, 1969, Ozualdo Candeias. O grande momento, 1958, Roberto Santos. Brasa dormida, 1928, Humberto Mauro. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. O pornógrafo, 1970, João Callegaro. Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Amor, palavra prostituta, 1982, Carlos Reichenbach. Inocência, 1983, Walter Lima Jr. Uma aula de sanfona (episódio de As safadas), 1982, Inácio Araújo. Vidas secas, 1964, Nelson Pereira dos Santos.

Ivan Cardoso, cineasta – Nos tempos de Tibério César, 1957, Ettore Brescia. (Adoro filme de romano, principalmente, quando as estátuas são humanas, tremem & até se mexem… Infelizmente não existe mais o negativo, nem as cópias deste grande clássico que sobrevive agora nos seus raros stills). Elas atendem pelo telefone, 1963, Duilio Mastroianni. (Uma verdadeira obra-prima noir de um cinema brasileiro ignorado & desprezado por todos.) Estranho triângulo, 1970, Pedro Camargo. (Outro estranho filme que, por estar à frente de seu tempo, abordando temas sexuais, ainda, proibidos – é uma meta biografia do galã Carlo Mossy, então com 25 anos, que era amante do lendário marchand de quadros falsos Fernand Legros – foi mutilado pela censura & esquecido pela esquerda, indo para o limbo.) O bem dotado/O homem de Itu, 1978, José Miziara. (Um clássico das pornochanchadas estrelado pelo “belmondo” de Santos, Nuno Leal Maia & uma verdadeira constelação de atrizes da Boca do Lixo!!!) Ariella, 1980, John Herbert. (Outra obra-prima dirigida pelo galante John Herbert, apresentando Nicole Puzzi, outra diva da Boca, na flor dos seus 22 anos, como o diabo gosta. Produção: Pedro Rovai!) Mulher, mulher, 1982, de Jean Garrett. (Um cult movie inesquecível para todos aqueles que gostavam de ver a apetitosa Helena Ramos nua no cinema, que devem ser muitos porque o filme fez mais de 2 milhões de espectadores. Fotografia de Carlos Reichenbach & roteiro de R.F.Lucchetti!) A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. (Não é a sua melhor fita, mas, sem dúvida nenhuma, é o Finnegan’s wake do Luz Vermelha! Um filme de praia sem praia, rodado em Policolor, onde Jô Soares dá um banho de interpretação, num ritmo alucinante que antecipa o que poderia ter sido mas não foi a Belair “de Rogério Sganzerla”!) As feras, 1995, Walter Hugo Khouri. (Disparado o melhor filme brasileiro depois do resgate! Em seu “último suspiro”, Walter nos deixou mais uma inesperada obra-prima, tão saborosa quanto a modelo Claudia Liz, inteiramente nua… Como era bom o cinema paulista no tempo do Khouri!) Na mira do assassino, 1968, Mário Lattini. (Outra pérola negra perdida no tempo… Com Agildo Ribeiro, Milton Moraes & Wilson Grey dando tiro para todos os lados, o thriller comprova a qualidade, vitalidade & o sucesso de público do cinema policial brasileiro!) O quinto poder, 1962, Alberto Pieralisi. (É um filmaço pra Hitchcock nenhum botar defeito, que fecha com chave de ouro a minha lista por um cinema brasileiro mais democrático! Com um magistral roteiro de Carlos Pedregal em torno de um tema bastante em voga naquele tempo – o filme tinha de ser rodado no transloucado (des)governo Janio Quadros –, a propaganda “subliminar” na tevê… Misturando espiões nazistas que invadem o Brasil, a trama macabra termina com uma antológica luta nos braços do Cristo Redentor, digna do “mestre do suspense”! Em 64, este filme acabou sendo vítima de uma série de equívocos que culminaram com o incêndio de seus negativos & a fuga de Pedregal para a Espanha. Mas, graças a uma cópia da cinemateca de Berlim, o filme foi restaurado & aos poucos vai mostrando os seus “poderes”, que continuam mais fortes do que nunca!!!).

Ivana Bentes, pesquisadora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ – Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Câncer, 1972, Glauber Rocha. Viagem ao fim do mundo, 1968, Fernando Coni Campos. Limite, 1931, Mário Peixoto. Esta noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Rio, Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Manhã na roça: o carro de boi, 1955, Humberto Mauro. A festa da menina morta, 2008, Matheus Nachtergaele.

Ivonete Pinto, crítica – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. A marvada carne, 1987, André Krotzel. Filme demência, 1986, Carlos Reichenbach. Noites do sertão, 1984, Carlos Alberto Prates Correia. Festa, 1989, Ugo Giorgetti. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. Deu pra ti, anos 70, 1981, Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti. Verdes anos, 1984, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase. Motorista sem limites, 1970, Milton Barragan.

João Carlos Rodrigues, crítico e pesquisador, membro da redação de Filme Cultura – Sinfonia amazônica, 1951, Anélio Lattini. O petróleo é nosso, 1954, Watson Macedo. Garotas e samba, 1957, Carlos Manga. Pega ladrão!, 1957, Alberto Pieralisi (não é chanchada, é infanto-juvenil baseado no clássico checo Emil e os detetives). Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Quem roubou meu samba?, 1959, José Carlos Burle. Tocaia no asfalto, 1962, Roberto Pires. Documentário, 1966, Rogério Sganzerla. Meteorango Kid, 1969, André Luís Oliveira. O monstro caraíba, 1975, Júlio Bressane. A casa das tentações, 1975, Rubem Biáfora. O casamento, 1976, Arnaldo Jabor. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. A ilha dos prazeres proibidos, 1979, Carlos Reichenbach. Corpo devasso, 1980, Alfredo Sternheim. O viajante, 1999, Paulo César Saraceni. Houve uma vez dois verões, 2002, Jorge Furtado. O prisioneiro da grade de ferro, 2004, Paulo Sacramento.

João Carlos Sampaio, jornalista e crítico do jornal A Tarde (Salvador, BA) – O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Filme Demência, 1986, Carlos Reichenbach. SuperOutro, 1989, Edgard Navarro. A margem, 1967, Ozualdo Candeias. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O mandarim, 1995, Júlio Bressane. Cabaré mineiro, 1980, Carlos Alberto Prates Correia. À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins.

João Luiz Vieira, crítico, pesquisador e professor – A lista, sem ordem de preferência, absolutamente do coração e da memória: Rio Fantasia, 1956, de Watson Macedo, pela sedução da imagem em preto & branco de uma Eliana estrela, alegre, jovial; dos números musicais, das coreografias, de um mundo prometido muito bem pelo título do filme e conseguido integralmente. O império do desejo, 1981, de Carlos Reichenbach, um filme que, naquele momento (1981), vinha completamente ao encontro do que eu achava ser o caminho do cinema: reflexivo, intertextual, paródico, inteligente, politicamente agressivo e anárquico, provocador e muito engraçado. Prova de que o cinema poderia ser simultaneante conceitual, esteticamente transgressor, sem perder o humor. Fome de amor, 1968, de Nelson Pereira dos Santos, outro impacto que cresceu ao longo dos anos, especialmente pela novidade da montagem descontínua, fotografia estourada, música absolutamente inovadora e, principalmente, pelas referências políticas que exigiam do espectador uma leitura mais que atenta. Macunaíma, 1969, de Joaquim Pedro de Andrade, filme que continuo a ver com o mesmo interesse e que, a cada visão, traz algo de novo, sempre. A cor, a escolha das músicas e a relação das letras com o que acontece na imagem, o cuidado com a cenografia e o vestuário, além, evidente, das interpretações icônicas de Paulo José (travestido, impagável!), Otelo, Dina Sfat e o sempre inesquecível e grotesco Jardel Filho de Venceslau Pietro Pietra. Todas as mulheres do mundo, 1967, de Domingos de Oliveira, que assisti pela primeira vez muito próximo, ou colado, ao Acossado, de Godard. Tudo a ver, eu achava, com o que era novo num cinema novo: a leveza (e a liberdade) da narração, a câmera na mão pelas ruas ou pelos apartamentos reais, a agilidade da montagem, a consciência de um cinema de gênero. Além, claro, de Leila Diniz e, de novo, Paulo José – espécie de Belmondo mais solto, levado. Limite, 1931, de Mário Peixoto, que também vejo e revejo com o mesmo interesse e emoção. É, sem dúvida alguma, o único filme brasileiro que me faz embarcar num fluxo de imagens e sons de uma outra dimensão subjetiva, interior, calada. Finalmente destacaria, ao invés dos filmes inteiros, momentos de dois filmes absolutamente impagáveis, que revelam o humor e a picardia de nossa cultura: Em Carnaval Atlântida, 1952, de José Carlos Burle, Oscarito travestido de Helena de Tróia sendo “cantado” por um magro e impostado Lewgoy, ninguém esquece. Como também a performance dele como um bebê grotesco, lúbrico e muito indecente cantando a Marcha do neném no início de Aviso aos navegantes, 1950, também do mestre Macedo. Com uma abertura dessas, qualquer coisa que viesse a seguir garantia a alegria. Sempre lembro da expressão de Zezé Macedo em O homem do sputnik, 1959, de Carlos Manga, ao dar um enfático chega prá lá na também inesquecível BB de Norma Bengell de olho (e pernas) para cima do “seu” Anastácio ao adverti-la para ir “beber outro marido porque o meu não é refresco, sua Messalina!”. Acho que fico por aqui, assim, sem completar uma lista de dez. Na realidade, entrando por este caminho aqui do final, são tantas as cenas, tantos os atores e atrizes que me marcaram que a lista pode continuar para sempre…

Joel Pizzini, cineasta – Limite, 1931, Mário Peixoto. Ladrões de cinema, 1977, Fernando Coni Campos. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Porto das Caixas, 1962, Paulo César Saraceni. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. Os cafajestes, 1962, Ruy Guerra. Tabu, 1999, Júlio Bressane. Memórias do cárcere, 1989, Nelson Pereira dos Santos. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla.

Jorge Vasconcelos, professor e pesquisador – Limite, 1931, Mário Peixoto. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. O anjo nasceu, 1969, Júlio Bressane. Lavoura arcaica, 2001, Luiz Fernando Carvalho.

José Carlos Monteiro, crítico e professor – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Vidas secas, 1964, Nelson Pereira dos Santos. Os fuzis, 1964, Ruy Guerra. Bye bye Brasil, 1980, Carlos Diegues. Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. Uirá, um índio em busca de Deus, 1973, Gustavo Dahl. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Limite, 1931, Mário Peixoto.

José Eduardo Belmonte, cineasta – Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Nem Sansão nem Dalila, 1955, Carlos Manga. Lucio Flávio, o passageiro da agonia, 1977, Hector Babenco. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. A cor do seu destino, 1986, Jorge Durán. Cabra marcado pra morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Terra estrangeira, 1996, Walter Salles. Cidade de Deus, 2000, Fernando Meirelles. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. Bar Esperança, 1983, Hugo Carvana..
José Geraldo Couto, crítico da Folha de São Paulo – Limite, 1931, Mário Peixoto. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Santo forte, 1999, Eduardo Coutinho. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. O grande momento, 1958, Roberto Santos. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane.

Júlio César de Miranda, curador de mostras, dono da antiga locadora Polytheama – Ganga bruta, 1932, Humberto Mauro. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. São Jerônimo, 1999, Júlio Bressane. O fim e o principio, 2006, Eduardo Coutinho. Glauces: estudo de um rosto, 2001, Joel Pizzini.

Kléber Mendonça Filho, crítico, cineasta e programador de cinema – SuperOutro, 1989, Edgar Navarro. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, 1977, Hector Babenco. Terra estrangeira, 1996, Walter Salles e Daniela Thomas. A hora vagabunda, 1998, Rafael Conde. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. O Trapalhão no planalto dos macacos, 1976, J. B.Tanko. Muro, 2008, Bruno Bezerra (Tião).

Laura Cánepa, professora e pesquisadora – Eu sei que vou te amar, 1986, Arnaldo Jabor. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Edifício Master, 2002, Eduardo Coutinho. Os cafajestes, 1962, Ruy Guerra. Os Trapalhões e o Mágico de Oroz, 1984, Vitor Lustosa e Dedé Santana. À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. As filhas do fogo, 1978, Walter Hugo Khouri. O pasteleiro (episódio de Aqui, tarados!), 1981, David Cardoso. A força dos sentidos, 1978, Jean Garrett. Ninfas diabólicas, 1978, John Doo.

Leonardo Luís Ferreira, crítico e cineasta – Terra em transe, 1964, Glauber Rocha. Limite, 1931, Mário Peixoto. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. À meia-noite levarei a sua alma, 1964, José Mojica Marins. Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Amor, palavra prostituta, 1982, Carlos Reichenbach, A margem, 1967, Ozualdo Candeias. O anjo nasceu, 1969, Júlio Bressane. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. SuperOutro, 1989, Edgar Navarro.

Luciana Corrêa de Araújo, professora e pesquisadora – A filha do advogado, 1926, Jota Soares. Tereré não resolve!, 1938, Luís (Lulu) de Barros, 1938. O mestre de Apipucos e O poeta do Castelo, 1959, Joaquim Pedro de Andrade, 1959. Documentário, 1966, Rogério Sganzerla. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. As duas faces da moeda, 1969, Domingos de Oliveira. Teremos infância, 1974, Aloysio Raulino. Chapeleiros, 1984, Adrian Cooper. Filme de amor, 2003, Júlio Bressane.

Lúcio Aguiar, cineasta e pesquisador – São Bernardo, 1971, Leon Hirszman (assisti no Lido). Limite, 1931, Mário Peixoto (assisti na Sala Funarte do Museu Nacional de Belas Artes). Navalha na carne, 1969, Braz Chediak (assisti no Vitória). A opinião pública, 1967, Arnaldo Jabor (assisti no Plaza). A velha a fiar, 1964, Humberto Mauro (assisti no Cine Hora). Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade (assisti no Cineclube Macunaíma). O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos (assisti no Vitória). Meu nome é Tonho, 1969, Ozualdo Candeias (assisti no Cineclube Santa Tereza). Crônica da cidade amada, 1964, Carlos Hugo Christensen (assisti no Bruni Flamengo). Ladrões de cinema, 1977, Fernando Coni Campos (assisti no Cinema 1).

Luiz Carlos Lacerda, cineasta – Azyllo muito louco, 1970, Nelson Pereira dos Santos. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Gordos & magros, 1976, Mário Carneiro. Índia, a filha do sol, 1982, Fábio Barreto. Jango, 1984, Sílvio Tendler. Lara, 2002, Ana Maria Magalhães. O homem que engarrafava nuvens, 2009, Lirio Ferreira. Uirá, um índio à procura de Deus, 1973, Gustavo Dahl. O homem da capa preta, 1986, Sérgio Rezende.

Luiz Joaquim, crítico do jornal Folha de Pernambuco – Inocência, 1983, Walter Lima Jr. Tudo bem, 1978, Arnaldo Jabor. Viagem aos seios de Duília, 1964, Carlos Hugo Christensen. A hora da estrela, 1985, Suzana Amaral. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Eu sei que vou te amar, 1986, Arnaldo Jabor. Pixote, 1981, Hector Babenco. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. Bye Bye Brasil, 1980, Carlos Diegues. O Trapalhão nas minas do rei Salomão, 1977, J. B. Tanko.

Luís Alberto Rocha Mello, crítico, cineasta e pesquisador – As aventuras amorosas de um padeiro, 1976, Waldyr Onofre. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. Fulaninha, 1986, David Neves. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Tudo azul, 1952, Moacyr Fenelon. Bang bang, 1970, Andrea Tonacci. Rio, Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Maridinho de luxo, 1938, Luís (Lulu) de Barros. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Gordos e magros, 1978, Mário Carneiro.

Luiz Rosemberg Filho, cineasta – Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Os fuzis, 1965, Ruy Guerra. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. O bravo guerreiro, 1968, Gustavo Dahl. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Tudo bem, 1978, Arnaldo Jabor. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman, O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci.

Marcelo Ikeda, editor do site Casulofilia e professor – Aopção ou As rosas da estrada, 1981, Ozualdo Candeias. (O grande filme esquecido do cinema nacional. O Brasil sem paternalismo. A opção de Candeias. Um cinema radical e solitário). Limite, 1931, Mário Peixoto. (À frente de seu tempo. Rigor e vigor. Um filme definitivo. Uma ilha no cinema brasileiro). Estética da solidão, 2001, Irmãos Pretti. (Antecipa o jovem cinema contemporâneo brasileiro em dez anos. Para mim, abriu uma possibilidade sem fim: fazer tudo com nada; um cinema de tudo ou nada. Sem concessões. Sem anestesia. Somente a solidão, que escorre na duração de cada plano). Estranho triângulo, 1970, Pedro Camargo. (Pedro Camargo é um grande cineasta brasileiro incompreendido. Um filme feito com o coração, com a cabeça e com o sexo. O Kane brasileiro: Rosebud e os castelos de areia. Tudo o que se pode esperar de um primeiro filme: uma declaração de princípios. Como típico filme de Pedro Camargo, um falso filme de gênero – ou um falso filme de produtor – sobre o fim do sonho do progresso brasileiro). Crônica de um industrial, 1978, Luiz Rosemberg Filho. (O canto do cisne do cinema novo. O decadentismo a la Visconti. Fusão ambígua entre o cinema novo e o cinema marginal. Profunda declaração de contas pessoal. O mais belo filme amargo do cinema brasileiro). O bravo guerreiro, 1969, Gustavo Dahl. (Um filme visionário, à frente de seu tempo. Um documentário sobre a história política do cinema brasileiro: Pereio é Dahl dez, vinte, trinta, quarenta anos depois. Um filme atual, sempre. O grande final do cinema brasileiro). Vilas volantes/O verbo contra o vento, 2005, Alexandre Veras. (O mais importante filme da história do cinema cearense. Memória e processo. Sokurov e Tarkovski nas areias do interior do Ceará. Tudo se esvai menos a beleza do momento. O início de novos rumos para o cinema contemporâneo brasileiro). Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. (Uma elegia ao desespero. O cinema pode ser tudo se se entregar ao verdadeiro. Um belo filme sobre a tragicidade da beleza de um encontro sem volta. O amor e a morte. A morte de um cinema por um ato de amor). O velho e o novo, 1967, Maurício Gomes Leite. (A vitória da palavra contra o silêncio, do tempo contra a morte, da liberdade contra o medo, do pensamento contra a clausura. Um enorme filme sobre a liberdade deste injustiçado que é Maurício Gomes Leite). Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. (Depois de mais de trinta anos sem realizar um longa de ficção, Tonacci mostra que permanece à frente de seu tempo. Um filme definitivo sobre o Brasil. Um filme sobre o paraíso perdido. Tonacci, Carapiru, nós, o Brasil).

Marcelo Miranda, crítico e jornalista – O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Bang bang, 1971, Andrea Tonacci. A dama do lotação, 1982, Neville d’Almeida. À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. O segredo da múmia, 1982, Ivan Cardoso. Cabaré mineiro, 1980, Carlos Alberto Prates Correia. Lilian M – Relatório confidencial, 1975, Carlos Reichenbach. O Trapalhão nas minas do rei Salomão, 1977, J. B. Tanko. Os Trapalhões e o Mágico de Oroz, 1984, Vítor Lustosa e Dedé Santana. Gringo, o último matador, 1972, Tony Vieira. O bem dotado/O homem de Itu, 1978, José Miziara.

Marcus Mello, professor e pesquisador – O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Bar Esperança, 1983, Hugo Carvana. Copacabana me engana, 1968, Antônio Carlos Fontoura. Filme demência, 1986, Carlos Reichenbach. O grande momento, 1957, Roberto Santos. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Nunca fomos tão felizes, 1984, Murilo Salles. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha.

Maria do Rosário Caetano, jornalista da Revista de Cinema – Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. SuperOutro, 1989, Edgard Navarro. Guerra conjugal, 1975, Joaquim Pedro de Andrade. Narradores de Javé, 2003, Eliane Caffé. Baile perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. A rainha diaba, 1974, Antonio Carlos Fontoura. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. A hora e vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles.

Myrna Silveira Brandão, pesquisadora – Limite, 1931, Mário Peixoto. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. A hora da estrela, 1985, Suzana Amaral. O invasor, 2002, Beto Brant. Tropa de elite, 2007, José Padilha. Eu tu eles, 2000, Andrucha Waddington. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. A máquina, 2005, João Falcão. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos.

Paulo Ricardo G. de Almeida, crítico– Limite, 1931, Mário Peixoto. O dragão da maldade contra o santo guerreiro, 1969, Glauber Rocha. O mágico e o delegado, 1983, Fernando Coni Campos. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1965, Roberto Santos. Aopção ou As rosas da estrada, 1981, Ozualdo Candeias. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Tocaia no asfalto, 1962, Roberto Pires. O império do desejo, 1981, Carlos Reichenbach.

Paulo Sacramento, cineasta e montador – O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Blá Blá Blá, 1968, Andrea Tonacci. Filme demência, 1986, Carlos Reichenbach. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. À meia noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. Cronicamente inviável, 2000, Sérgio Bianchi. O cangaceiro, 1953, Lima Barreto. Sargento Getúlio, 1983, Hermano Penna. Horror Palace Hotel, 1978, Jairo Ferreira. O jogo da vida, 1977, Maurice Capovilla.

Paulo Santos Lima, crítico e jornalista – O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Os cafajestes, 1962, Ruy Guerra. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. O gosto do pecado, 1980, Cláudio Cunha. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Amor, palavra prostituta, 1982, Carlos Reichenbach. O rei do baralho, 1973, Júlio Bressane. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Convite ao prazer, 1980, Walter Hugo Khouri. O Trapalhão no planalto dos macacos, 1976, J. B. Tanko. Toda nudez será castigada, 1973, Arnaldo Jabor.

Paulo Sérgio Almeida, cineasta, editor do site FilmeB – Menino de engenho, 1965, Walter Lima Jr. Matar ou correr, 1952, Carlos Manga. Xica da Silva, 1976, Carlos Diegues. Jardim de guerra, 1970, Neville d’Almeida. Matou a família e foi ao cinema, 1969, Júlio Bressane. Cinema, aspirinas e urubus, 2005, Marcelo Gomes. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Vinicius, 2005, Miguel Faria Jr. Juventude, 2008, Domingos de Oliveira.

Pedro Butcher, crítico, site FilmeB – Memórias do cárcere, 1984, Nelson Pereira dos Santos. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Viagem ao fim do mundo, 1968, Fernando Coni Campos. Limite, 1931, Mário Peixoto. Miramar, 1997, Júlio Bressane. Tudo é Brasil, 1997, Rogério Sganzerla. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. SuperOutro, 1989, Edgar Navarro. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Jogo de cena, 2007, Eduardo Coutinho.

Poty Oliveira, pesquisador – Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. Pecado de Nina, 1950, Eurides Ramos. Aviso aos navegantes, 1950, Watson Macedo. Maior que o ódio, 1951, José Carlos Burle. Presença de Anita, 1951, Ruggero Jacobbi. Caiçara, 1950, Adolfo Celi. Luz apagada, 1953, Carlos Thiré. Areias ardentes, 1952, J. B. Tanko. Caminhos do sul, 1949, Fernando de Barros. A sombra da outra, 1950, Watson Macedo.

Rafael Ciccarini, professor, editor do site Filmes Polvo – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Limite, 1931, Mário Peixoto A ilha dos prazeres proibidos, 1979, Carlos Reichenbach. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. Lábios sem beijos, 1930, Humberto Mauro. Rio 40º, 1955, Nelson Pereira dos Santos. Nem tudo é verdade, 1986, Rogério Sganzerla. Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. Copacabana mon amour, 1970, Rogério Sganzerla. A herança, 1970, Ozualdo Candeias.

Rafael de Luna, professor e pesquisador – Navalha na carne, 1969, Braz Chediak. Em nome da segurança nacional, 1984, Renato Tapajós, Não por acaso, 2007, Philipe Barcinski. Aruanda, 1960, Linduarte Noronha. Alô, alô, carnaval!, 1936, Adhemar Gonzaga. Samba em Berlim, 1943, Luís (Lulu) de Barros. A máscara da traição, 1968, Roberto Pires. Barra pesada, 1977, Reginaldo Faria. Fábula, 1963, Arne Sucksdorff. Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman. Memória, 1990, Roberto Henkin. Aí vem o Barão, 1951, Watson Macedo. Vereda da salvação, 1965, Anselmo Duarte.

Remier Lion, pesquisador – Tristezas não pagam dívidas, 1944, José Carlos Burle. Berlim na batucada, 1944, Luís (Lulu) de Barros. Pé na tábua, 1958, Victor Lima. O átomo brincalhão, 1964, Roberto Miller. À meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. Ver e ouvir, 1966, Antônio Carlos Fontoura. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. O rei do baralho, 1973, Júlio Bressane. Celacanto provoca Lerfá Mu, 1979, Pedro Camargo. O segredo da múmia, 1982, Ivan Cardoso.

Ricardo Calil, crítico do jornal Folha de São Paulo – Os saltimbancos Trapalhões, 1981, J. B. Tanko. Houve uma vez dois verões, 2002, Jorge Furtado. Iracema, uma transa amazônica, 1974, Jorge Bodanzky e Orlando Senna. A mulher de todos, 1969, Rogério Sganzerla. Guerra conjugal, 1975, Joaquim Pedro de Andrade. Á meia-noite levarei sua alma, 1964, José Mojica Marins. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Baile perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga.

Ricardo Miranda, cineasta e montador – Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. A idade da terra, 1980, Glauber Rocha. Triste trópico, 1974, Arthur Omar. O desafio, 1965, Paulo César Saraceni. Assuntina das Américas, 1976, Luiz Rosemberg Filho. A vida provisória, 1968, Maurício Gomes Leite. Os inconfidentes, 1972, Joaquim Pedro de Andrade. América do sexo (episódio Sexta feira da paixão, sábado de Aleluia), 1969, Leon Hirszman. O rei da vela, 1983, José Celso Martinez Correa e Noilton Nunes. Deserto feliz, 2007, Paulo Caldas.

Rodrigo de Oliveira, crítico – Bang Bang, 1971, Andrea Tonacci. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. Câncer, 1972, Glauber Rocha. Jardim de guerra, 1970, Neville d’Almeida. Memórias de um estrangulador de louras, 1971, Júlio Bressane. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. A vida provisória, 1968, Maurício Gomes Leite.

Rodrigo Fonseca, jornalista e crítico do jornal O Globo (RJ) – Tropa de elite 2, 2010, José Padilha. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, 1977, Hector Babenco. O mágico e o delegado, 1993, Fernando Coni Campos. Bar Esperança, 1993, Hugo Carvana. O cangaceiro trapalhão, 1983, Daniel Filho. Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Lavoura arcaica, 2001, Luiz Fernando Carvalho. Eu te amo, 1981, Arnaldo Jabor. O cheiro do ralo, 2006, Heitor Dhalia. Bye bye Brasil, 1980, Carlos Diegues.

Roger Lerina, crítico e jornalista – Noite vazia, 1965, Walter Hugo Khouri. Lavoura arcaica, 2001, Luiz Fernando Carvalho. Jogo de cena, 2007, Eduardo Coutinho. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. Viajo porque preciso, volto porque te amo, 2007, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla.. Toda nudez será castigada, 1973, Arnaldo Jabor. Limite, 1931, Mário Peixoto. Santiago, 2007, João Moreira Salles. Bye, Bye Brasil, 1980, Carlos Diegues.

Rosângela Sodré, pesquisadora – Anjos da noite, 1987, Wilson Barros. Cidade oculta, 1986, Chico Botelho. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Di Cavalcanti, 1977, Glauber Rocha. São Paulo S/A, 1965, Luís Sergio Person. Fragmentos da vida, 1929, José Medina. São Paulo, a sinfonia da metrópole, 1929, Rudolfo Lustig & Adalberto Kemeny. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Baile perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. O invasor, 2002, Beto Brant.

Rubens Ewald Filho, crítico e jornalista – As cariocas, 1966, Roberto Santos (Iris Bruzzi lavando o carro e brigando com a vizinhança no episódio de Roberto Santos, finalmente dando banana para o público na televisão. Não o filme todo, só esse episódio). Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. (O filme todo). Absolutamente certo, 1957, Anselmo Duarte. (Dercy Gonçalves tocando tuba em Jura). Todas as mulheres do mundo, 1967 (Leila Diniz, uma mulher solar conforme descreve Domingos de Oliveira). A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos (Leonardo Villar de cócoras para fumar seu primeiro cigarro depois de muito sofrimento). O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga (Norma Bengell de Brigitte, Jô Soares de espião americano, toda a sátira e elenco). Menino de engenho, 1965, Walter Lima Jr. (O garoto correndo atrás do trem). Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade (em particular a primeira parte). Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman (Fernanda Montenegro catando feijão). O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte (as portas da igreja sendo abertas à força).

Sérgio Alpendre, crítico – Limite, 1931, Mário Peixoto. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Sem essa, Aranha, 1970, Rogério Sganzerla. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. Rio, Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Ganga bruta, 1933, Humberto Mauro. Serras da desordem, 2006, Andrea Tonacci. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. Agonia, 1978, Júlio Bressane.

Sérgio Augusto, crítico e jornalista – Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. Nem Sansão nem Dalila, 1955, Carlos Manga. Rio 40º, 1955, Nelson Pereira dos Santos. O grande momento, 1958, Roberto Santos. O homem do sputnik, 1959, Carlos Manga. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. O ano em que meus pais saíram de férias, 2006, Cao Hamburger.

Sérgio Sanz, cineasta – Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Os deuses e os mortos, 1970, Ruy Guerra. Aruanda, 1960, Linduarte Noronha. Porto das Caixas, 1962, Paulo César Saraceni. Bicho de sete cabeças, 2001, Laís Bodanzky. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. Ladrões de cinema, 1977, Fernando Coni Campos. Vai trabalhar, vagabundo, 1973, Hugo Carvana. São Bernardo, 1971, Leon Hirszman. A grande cidade, 1966, Carlos Diegues.

Sheila Schvarzman, historiadora, pesquisadora e professora – O canto da saudade, 1952, Humberto Mauro. Inocência, 1983, Walter Lima Jr. Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. A ilha dos prazeres proibidos, 1979, Carlos Reichenbach. Nelson Cavaquinho, 1969, Leon Hirszman. O invasor, 2002, Beto Brant. Baile Perfumado, 1997, Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. Eduardo Coutinho (não consigo me decidir sobre qual deles).

Silviano Santiago, escritor – O cangaceiro, 1953, Lima Barreto. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Agulha no palheiro, 1953, Alex Viany. Rio Zona Norte, 1957, Nelson Pereira dos Santos. A vida provisória, 1968, Maurício Gomes Leite. Jardim de guerra, 1970, Neville d’Almeida. Os inconfidentes, 1972, Joaquim Pedro de Andrade. Terra estrangeira, 1996, Walter Salles e Daniela Thomas. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. A causa secreta, 1984, Sérgio Bianchi.

Silvio Da-Rin, cineasta – Terra em transe, 1967, Glauber Rocha. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1965, Roberto Santos. Cabra marcado para morrer, 1964-1984, Eduardo Coutinho. Ó xente, pois não, 1972, Joaquim Assis. Os fuzis, 1963, Ruy Guerra. Terra estrangeira, 1995, Walter Salles. Bahia de todos os santos, 1961, Trigueirinho Neto. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Gimba, presidente dos valentes, 1963, Flávio Rangel. Cildo Meireles, 1979, Wilson Coutinho.

Silvio de Abreu, cineasta, roteirista e autor de telenovelas – Aviso aos navegantes, 1950, Watson Macedo. Cidade de Deus, 2000, Fernando Meirelles. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Esse Rio que eu amo, 1962, Carlos Hugo Christensen. Nem Sansão nem Dalila, 1955, Carlos Manga. Pixote, 1981, Hector Babenco. São Paulo S/A, 1965, Luís Sergio Person. Sinfonia carioca, 1955, Watson Macedo. Tudo bem, 1978, Arnaldo Jabor. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos.

Susana Schild, crítica, jornalista e roteirista – Vidas secas, 1963, Nélson Pereira dos Santos. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Carnaval Atlântida, 1952, José Carlos Burle. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. A marvarda carne, 1987, André Klotzel. O homem que copiava, 2003, Jorge Furtado. Central do Brasil, 1998, Walter Salles. Cidade de Deus, 2000, Fernando Meirelles. Cabra marcado para morrer, 1964/1984, Eduardo Coutinho. Pixote, 1981, Hector Babenco.

Tarcísio Vidigal, produtor – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Noites do sertão, 1984, Carlos Alberto Prates Correia. Os matadores, 1997, Beto Brant. O padre e a moça, 1966, Joaquim Pedro de Andrade. A estrela sobe, 1974, Bruno Barreto. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1966, Roberto Santos. Filme de amor, 2003, Júlio Bressane. A suprema felicidade, 2010, Arnaldo Jabor. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira.

Tatiana Monassa, crítica – Alô, alô, carnaval!, 1936, Adhemar Gonzaga. Aopção ou As rosas da estrada, 1981, Ozualdo Candeias. Boca de Ouro, 1962, Nelson Pereira dos Santos. O invasor, 2002, Beto Brant. Limite, 1931, Mário Peixoto. Madame Satã, 2002, Karim Aïnouz. O matador profissional, 1969, Jece Valadão. Mineirinho vivo ou morto, 1967, Aurélio Teixeira. Porto das Caixas, 1962, Paulo César Saraceni. Tudo é Brasil, 1997, Rogério Sganzerla.

Tatiana Penteado, pesquisadora – Dona Flor e seus dois maridos, 1976, Bruno Barreto. Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. O pagador de promessas, 1962, Anselmo Duarte. Cidade de Deus, 2002, Fernando Meirelles. O grande momento, 1957, Roberto Santos. Todas as mulheres do mundo, 1967, Domingos de Oliveira. Rio 40º, 1955, Nelson Pereira dos Santos. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Pixote, 1981, Hector Babenco. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Eles não usam black-tie, 1981, Leon Hirszman. Toda nudez será castigada, 1973, Arnaldo Jabor.

Tunico Amâncio, pesquisador e professor – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. O bandido da luz vermelha, 1968, Rogério Sganzerla. A hora e a vez de Augusto Matraga, 1965, Roberto Santos. Macunaíma, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. Tudo bem, 1978, Arnaldo Jabor. Cabaré mineiro, 1980, Carlos Alberto Prates Correia. O amuleto de Ogum, 1974, Nelson Pereira dos Santos. Ilha das Flores, 1989, Jorge Furtado. Selva trágica, 1963, Roberto Farias. Um homem sem importância, 1971, Alberto Salvá. Memórias de um estrangulador de louras, 1971, Júlio Bressane. Aopção ou As rosas da estrada, 1981, Ozualdo Candeias.

Walter Carvalho, cineasta e diretor de fotografia – Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha.Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Os fuzis, 1964, Ruy Guerra. Macunaima, 1969, Joaquim Pedro de Andrade. O anjo nasceu, 1969, Júlio Bressane. Limite, 1931, Mário Peixoto. A lira do delírio, 1978, Walter Lima Jr. Terra estrangeira, 1996, Walter Salles e Daniela Thomas. Onibus 174, 2002, José Padilha e Felipe Lacerda. Noticias de uma guerra particular, 1999, João Moreira Salles e Kátia Lund. Chico Antonio, um herói com caráter, 1984, Eduardo Escorel. O país de São Saruê, 1971, Vladimir Carvalho. Lavoura arcaica, 2001 , Luiz Fernando Carvalho.

Zé José (Eduardo Souza Lima), jornalista e cineasta – O país de São Saruê, 1971, Vladimir Carvalho. Cão sem dono, 2007, Beto Brant e Renato Ciasca. Amarelo manga, 2002, Cláudio Assis. Ganga Zumba, 1963, Carlos Diegues. Deus e o diabo na terra do sol, 1964, Glauber Rocha. São Paulo S/A, 1965, Luís Sérgio Person. O Trapalhão na ilha do tesouro, 1975, J.B. Tanko. Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa, 1968, Roberto Farias. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. O grande momento, 1958, Roberto Santos.

Zeca Zimmerman, produtor – Rio 40º, 1955, Nelson Pereira dos Santos. Vidas secas, 1963, Nelson Pereira dos Santos. Chuvas de verão, 1978, Carlos Diegues. Os fuzis, 1964, Ruy Guerra. Tudo bem, 1978, Arnaldo Jabor. Dona Flor e seus dois maridos, 1976, Bruno Barreto. Carnaval no fogo, 1949, Watson Macedo. Stelinha, 1990, Miguel Faria Jr. Assalto ao trem pagador, 1962, Roberto Farias. Faca de dois gumes, 1989, Murilo Salles.