Balzac (1789-1850) -Pensamentos (Parte 2)

Para o desespero do homem, ele nada pode fazer que não seja imperfeito, tanto para o bem quanto para o mal. Todas as suas obras intelectuais ou físicas estão marcadas com um signo de destruição. Ele nada mais é que um usufrutuário das coisas.

Uma coisa digna de nota é o poder de efusão que possuem os sentimentos. Por mais grosseira que seja uma criatura, a partir do momento em que ela expressa uma afeição forte e verdadeira, ela exala um fluido peculiar que modifica a fisionomia, anima o gesto, colore a voz. Muitas vezes, o ser mais estúpido chega, sob o esforço da paixão, à mais alta eloquência na ideia, quando não na linguagem, e parece se mover em uma esfera luminosa.

Existem duas espécies de discrições: ativa e negativa. A discrição negativa é a dos tolos que utilizam o silêncio, a negação, o ar carrancudo, a discrição das portas fechadas, verdadeira impotência. A discrição ativa procede por afirmação.

Talvez seja da natureza humana impor todos os sofrimentos a quem tudo sofre por verdadeira humildade, por fraqueza ou por indiferença. Nós não gostamos de provar a nossa força à custa de alguém ou de alguma coisa? O ser mais débil, o garoto, toca a campainha de todas as portas quando está nevando e escala para escrever seu nome num monumento virgem.

O remorso é mais que um pensamento, ele provém de um sentimento que não esconde mais do que o amor e que tem sua tirania.

Para todo mundo, esperar uma infelicidade indefinida constitui um horrível suplício. O sofrimento adquire então as proporções do desconhecido, que certamente é o infinito da alma.

Mergulhando no fundo das volúpias, trazemos mais cascalho do que pérolas.

O bom gosto tanto está no conhecimento das coisas que se deve calar quanto no das coisas que se pode dizer.

A glória é o egoísmo divinizado.

Estamos habituados a julgar os outros por nós, e se nós os absolvemos complacentemente dos nossos defeitos, os condenamos severamente por não terem as nossas qualidades.

Em termos de civilização, nada é absoluto. As ideias que convêm a uma região são mortais em uma outra; e ocorre com as inteligências a mesma coisa que com os territórios.

Tudo se torna sério na vida humana quanto a eternidade pesa sobre a mais leve de nossas determinações. Quando essa ideia age com toda sua potência sobre a alma de um homem e faz que ele sinta em si um não sei quê de imenso que o põe em contato com o infinito, as coisas se modificam estranhamente. Desse ponto de vista, a vida é bem grande e bem pequena.

A delicadeza que é sempre bem-sucedida talvez seja a maior de todas as forças.

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