Crítica: No Limite da Loucura (In the Mouth of Madness) – John Carpenter (1994)

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Um hospício, como em seu último filme The Ward (A Aterrorizada), é o ponto de partida da história e seu desenrolar mostra como o detetive Trent foi internado. Em relação aos seus outros filmes, vê-se personagens envolvidos uma busca perigosa, como em They Live (Eles Vivem), The Thing (Enigma do Outro Mundo). Para que a estabilidade seja restabelecida, tais mistérios devem ser resolvidos.  E o fascínio pelo desconhecido leva os protagonistas a investigarem até as últimas conseqüências quais as perguntas sem respostas. Mesmo quando há ameaças nessa empreitada (não é aconselhável ler um livro para não ficar louco nesse filme nem ver um filme raríssimo em Cigarrete Burns para não morrer durante a exibição).

Carpenter sempre transita entre um mundo real e um fictício. Quando são postos em cena elementos de gênero (como nesse filme: trovões, monstros, cruzes, cenários góticos), tendemos ao segundo mundo. Porém, não se trata de um mundo fantástico, tais mundos são criados a partir de experiências individuais, descobertos pelo protagonista (mais uma vez, They Live, The Thing). Esses mundos são mutáveis, onde não se respeitam as leis físicas – os quadros mudam, as paredem são organismos vivos, etc. Para entrar nessa outra dimensão, um portal existe nesse filme; em They Live, por exemplo, tal mundo é visto através de um óculos especial. Porém, para todas as outras pessoas tais mundos não existem, nem a cidade fictícia em No Limite da Loucura nem todo o Mundo cheio de mensagens subliminares em Eles Vivem. É notável que até o mundo real, em que as relações cotidianas se estabelecem, se tornam suspeitos de serem falíveis, quando a ajudante de Trent, que o acompanha na missão, é revelada nunca ter existido, somente no romance

Uma realidade dentro de outra. Torna-se uma espiral o fato que, se vemos o próprio filme em que vemos dentro do filme, sendo exibido num cinema, então o filme em questão se torna duplamente fictício, pois é apenas um pedaço de uma ficção já existente. Interessante jogo de espelhos que reforça uma imaterialidade do filme.

Os acontecimentos são cobertos pelas mídias, rádio (em The Fog) e TV (They Live), como que para realçar a veracidade dos fatos, visto que tal visibilidade daria uma realidade incontestável: é preciso ser notícias para os eventos virem a tona e dialogar com o mundo. Billy Wilder é outro que adora transitar entre os meios de comunicação (jornal, cinema, teatro, TV), mas nesse caso, para melhor desvendá-los.

O que mais incomoda é a teimosia da descrença do protagonista, que depois de uma hora de filme ainda acha existirem efeitos especiais para encenar toda a cidade para enganá-lo.  Recorrência em Carpenter, onde uma conspiração/perseguição sempre parece atuar sobre os protagonistas.

Tido como 10º melhor filme de 1995 pela Cahiers Du Cinema, mostra a constância do diretor em explorar habilmente suas telas em 2,35:1 e suas sempre parecidas histórias, que podem ser vistas como filmes rodados em loop, diferindo apenas os temas. Em meio a essas repetições e usos das convenções dos gêneros (dialogando com a ficção científica, terror, suspense) há um questionamento sobre o poder da ficção em influir o receptor e qual serão as relações entre esses e às obras que vê.

14 Comentários to “Crítica: No Limite da Loucura (In the Mouth of Madness) – John Carpenter (1994)”

  1. John Carpenter é um dos meus cineastas favoritos. Esse filme é muito bom.

  2. Seus textos são meio incompreensíveis. Tente explicá-los melhor.
    Fica a dica.

  3. Bem parecido com o Cigarrete Burns, que também é um filmaço!

  4. Halloween também é sensacional.
    John Carpenter é um ótimo diretor de filmes de terror, e dos outros gêneros também.

    Passa no meu blog: bricinefila.blogspot.com.br

  5. Vou procurar o filme pra baixar! Fiquei interessada! Só espero que não me assuste muito! hihi

  6. esse filme é assustador
    muito legal seu blog

  7. Ah! Poderia passar outros filmes de terror? É meu gênero favorito!

    Obrigada!!!

  8. É bem parecido com o Pesadelo Mortal, mas prefiro esse.

  9. Legal esse texto. Tem poucas críticas sobre esse filme na internet. Bom saber que existem mais pessoas que gostam.

  10. o terror de antigamente era muito melhor!

  11. iMAGINA SE HOUVESSE UM LIVRO ASSIM COMO NO FILME? IA SER DIABÓLICO!

  12. Outros diretores de terror que gosto são: Tobe Hopper, Sam Raimi e claro: Wes Craven.

  13. isso que é terror alienante! é uma parábola de como as pessoas são influenciadas pelos meios de comunicação!

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