Crítica: Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo (Karim Aïnouz, Marcelo Gomes, 2009)

Nos 5 primeiros minutos início é estabelecida a jornada: um homem, cerca de 30 anos, viaja em seu caminhão, saindo de Fortaleza por 30 dias. É um geólogo. Logo ele dita sua lista de materiais e diz que tem vontade de voltar. Entendemos também que terminou um relacionamento.

Afirma que vai ter contato com as pessoas, mas de fato, é o que pouco faz no decorrer do filme. Os contatos são sempre unidirecionais, asserções sobre as pessoas, a maioria das vezes com julgamento de valor.  Também esboça algum engajamento, mas logo diz que o fato de uma represa que irá ser construída e desabrigará pessoas não é problema dele.

A subjetividade do filme é elevada, estamos sempre sendo guiados pelas emoções de José Renato. Tanto que, ele diz detalhadamente o que tomou no café da manhã do hotel. Há também seu envolvimento com algumas prostitutas: (Larissa, Michelle, Shirley, Maria de Fátima, Cláudia Rosa, e Pati, a entrevistada que quer ter uma vida-lazer). Além disso, muitos termos técnicos são usados. Junte a subjetividade ao tecnicismo do detalhamento do solo e temos um filme fortemente apolítico. Por vezes, sua fala ganha contornos poéticos, outras vezes, excessos de dramaticidade. E a música, quando entra, só reforça a dor de cotovelo do viajante.

A câmera é ambígua em relação aos filmados. Hora age como sonda imperceptível, hora como invasiva. Hora os contempla, hora os filma de frente, mas nunca (com exceção de uma entrevista) lhes cede a palavra. Assim, se o personagem diz que uma família de oito pessoas não é feliz, não temos o direito de resposta do tal grupo. Então, temos sempre um olhar superficial, que não capta a relação entre os sujeitos e desses com os objetos ao seu redor.

Aos vinte minutos, nos vem a informação que Galega (sua ex) era botânica. Então, José começa a acreditar que se achar uma certa espécie flor irá reconquistá-la. Porém, tal busca nem é efetuada, servindo apenas como um objetivo principal do roteiro não cumprido e esquecido.

Por fim, temos o “mergulho para a vida” em Acapulco. É como se o alívio só conseguisse ser obtido fora dali. Um filme que em 90% do tempo afirma o tédio, o cansaço de viver, a futilidade da existência e a opacidade das pessoas (menos a de Renato) sai de fininho e quer águas bem transparentes, sem a secura do sertão.

G.C

4 Comentários to “Crítica: Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo (Karim Aïnouz, Marcelo Gomes, 2009)”

  1. Oi. Acho o filme ótimo. Não concordo com sua crítica! Mas enfim, gosto é gosto né?

  2. Muito boa a crítica. o fim desse filme é realmente estúpido, aquela ida pra Acapulco.

    Beijos cinéfilos

  3. Não entendi

  4. As revelações sensíveis do interior do fluxo cerebral do ator invisível é um dos achados mais supracomplementares do último cinema pós-sensível-moderno brasileiro. Sua crítica deveria ser mais embasada nos artigos metafísicos e estruturalistas para se ter maior compreensão de sua carga neofilosófica.

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