Crítica: O Grupo Baader Meinhof – Uli Edel (2009)

Produção alemã indicada ao Oscar de Melhor Filme Estangeiro, conta a história de um grupo de extrema-esquerda (ainda que haja contradições pessoais em personagens) que possui tanto ideais consistentes porém pratica suas atividades contra o que acha inadmissível de maneiras questionáveis, o  que leva a alterar a opinião pública a favor e contra o grupo.

Edel, que também dirigiu Christiane F. (1982) e Noites Violentas no Brooklyn  ***(1990) opta por um filme ágil, com cenas de ação bem coreografadas (tanto na imagem como na montagem), o que implica em uma impossibilidade de absorção de vários planos (nos ultrapassa). Há um bom trabalho de composição, exceto em inúmeros PPV em que os personagens em primeiro plano servem como uma poluição no enquadramento, um elemento claramente invasor.  Porém, em outros momentos o posicionamento dos personagens é exemplar.

O diretor não se importa no impacto que temas (conceitos) podem causar, vide seus filmes anteriores. Isso implica que praticamente tudo pode ser mostrado. Sinto uma falta de ética para que o faz. Exemplos claros são Irreversível, um filme em que mais vi o diretor perder a mão ao que filmar, embora sua propósta estética (excluindo-se aí o conteúdo/tema) seja realmente interessante;  os Haneke; esses novos gore-movies (jogos mortais, etc,), etc. Então a força que encontra em seu filme está totalmente no que é mostrado, pois linguagem/narrativa estão unicamente a serviço de se provar ideias. (Vale uma exceção, a sequência ficção/documentário, com suas elipses  e ritmos precisos são o ponto alto do filme, no que se refere a narrativa).

Os personagens: as belas mulheres do grupo são tratadas como estéreis na história. Às vezes os líderes são levados à serem admirados, por ações contestadoras como dirigir dando tiros ou destruir verbalmente o juiz. Porém, a maioria de suas ações só nos levam a verem como pessoas normais, cheia de defeitos, que encontram na  revolta o escape de suas frustrações.

O maniqueísmo entre ordem/revolta não se vê quando os “criminosos” são presos. Na maioria das vezes eles são delatados por pessoas normais, que constantemente estão em suas janelas olhando com receio os terroristas. O por quê essa insistência em mostrá-los me parece estúpida, como que desviando dos donos do poder da briga direta contra o grupo.

E o último ato, por assim dizer, é tão longo que parece que não vai acabar nunca. O filme trava na longa prisão e as ocorrências para dar fim a ela andam a passos lentíssimos . É quando o filme perde sua força, que construiu penosamente. A intenção parecia ter mais material, prender por mais tempo o espectador, já que o modo que é feito (muito parecido com um filme de ação) tenta prender a atenção a cada plano.

Com essa atitude, o filme se torna um objeto como um país que sofreu um atentado (desculpem a analogia evidente), na qual se parece em que perdeu um pedaço de si, insubstituível. A diferença é que “O Grupo” já nasceu sem esse pedaço.

G.C.

One Comment to “Crítica: O Grupo Baader Meinhof – Uli Edel (2009)”

  1. Filmaço! O que vindo do Uli Edel, que havia feito o Christiane F. é praticamente clichê. Acho até injusto não faturar o Oscar de filme estrangeiro na época. O tipo de filme que não pode faltar na coleção de ninguém.

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