Crítica: Rachel Getting Married – Jonathan Demme (2008)

Demme segue a tendência dos filmes atuais: se pretendem ultra realistas, com atuações que beiram uma representação sem artifícios –  (Entre os Muros da Escola); câmera inquieta – nesse filme a câmera dá ritmo ao turbilhão que é a família, quando em Entre os Muros da Escola não passa de um tique – seus melhores planos (3) são feitos com tripé.

Chama atenção a liberdade que os atores possuem, fazendo de um provável improviso a essência do filme. Demme os liberta de convenções, fazendo com que o set seja mais uma experiência sobre como expressar os personagens de acordo com os atores que o expressam. Ou seja, Demme deixa os atores serem quem eles são. Esse é o ponto forte do filme.

Como em Once Around (primeiro filme postado aqui), Demme também privilegia situações embaraçosas, tirando o espectador da indiferença, como um Haneke – o que na minha opinião trata-se de um artifício rasteiro, pois tirar o espectador da indiferença pelo caminho oposto, pelo que o personagem sente ao invés do que faz, é onde reside a dificuldade, poucos sabem fazer isso. Nisso o diretor cai em uma armadilha: tira a força das relações e as transfere para atos aleatórios, que servem para reforçar algo que se torna óbvio rapidamente, que a família é cheia de problemas.

No que deveria ser o auge do filme (e é quase um anti-climax), o casamento se torna confuso pela ênfase evidentemente desnecessária que o diretor dá à música. Há 5 minutos de pessoas dançando, variando os ritmos (o que é aquele samba?), como um videoclipe. Sua tentativa de estabelecer uma relação do filme com a música é falha, embora a relação da música com seus personagens (muitos deles músicos) é bem construída (porém, a música não consegue penetrar na alma do filme).

Alguns dos fatos têm seu tom de exagero, eis o que diferencia Rachel de um Amantes por exemplo. Em Amantes tudo que vemos é sincero, e os fatos estão ligados aos personagens que não conseguimos desvincilharmos. Em Rachel, eles estão a serviço da trama, para dar-lhe um sentido, mas tirando sua coerência. O que parece estar na superfície em Rachel, em Amantes é o foco, um objetivo perseguido até o fim. No meio à confusão da família e dos personagens, O Casamento de Rachel embarca nesse caos e lhe absorve, fazendo com que suas partes tenham dificuldade para encaixar. A relação entre Kym e Kieran não é desenvolvida, mas é consumida, mesmo que não tenha acontecido fatos que condizem com a resolução. O caminho que o filme toma, com todos seus conflitos e tensões, parece ter uma solução simples demais. Não são as discussões entre a família que resolvem a situação, e sim a festa e a alegria (por vezes forçada) dela proveniente.

G.C.

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