Crítica: Midnight Express – Alan Parker (1978)

Em seus primeiros 40 minutos a trama anda a gatinhadas, pouco se desenvolvendo e com o roteiro (de Oliver  Stone) sendo remendado, apesar de uma cena de tortura eficaz. Nesse tempo, nenhum personagem cria empatia o suficiente. Após isso, começam as cenas fortes, como o castigo das crianças que estupraram, facada nas nádegas, e a melhor do filme, a briga entre Billy (Brad Davis, o Querelle de Fassbinder) e Rifki, na qual a insanidade de Billy extrapola de maneira brutal.

Brad se dá melhor com sua expressão corporal – suas falas soam mornas e sem intensidade (a não ser seu discurso explosivo no tribunal).

Parker se mostra hiperativo com sua câmera, com muitos ângulos e cortes desnecessários, sem noção de espaço, predujicando a decupagem (se essa não for a causa da imperfeição), criando uma confusão incrível. Seus campos/contracampos funcionam quando são usados (raramente) mas o caos predomina.

A trilha de Giorgio Moroder a princípio só enfatiza as situações dramáticas (tristeza, ação, etc). Depois, umas músicas estilo Atari dão um ar anos 80, precedendo o estilo que iria imperar dentro de alguns anos. Porém, em alguns momentos a edição de som é elementar, com as batidas de coração de Billy na abertura.

A iluminação é um dos pontos fortes do filme, realçando silhuetas e cenários e até tendo papel na trama, quando Billy pretende fugir, não pode ser reconhecido e seu rosto está na penumbra, se safando.

Os personagens secundários poderiam estar no manicômio de Um Estranho no Ninho (1975). Temos um hippie que adora piadas, criando um clima incondizente com o da prisão; um surtado que briga toda hora e não consegue fugir; um chefe de prisão que é psicopata e acéfalo; um profeta que viaja em máquinas;e Rifki, o turco dedo-duro. A namorada de Billy é quase figurante, não tendo nenhuma função narrativa praticamente.

Há alguns comentários ideológicos totalmente discutíveis, como:

-Na Turquia não existe nenhum advogado honesto.

-Esquerda é comunismo, direita é bom.

Nisso, a Turquia surge como vilã secundária, onde todos as alternativas que Billy tem de escapar esbarra na ignorância política do país.

Com suas virtudes sendo obstruídas pela confusão da câmera, atuações pouco convincentes e roteiro sendo enfiado guela abaixo, Midnight Express é um típico filme superestimado.

G.C.

One Comment to “Crítica: Midnight Express – Alan Parker (1978)”

  1. Alan Parker eh uma farsa.

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