Crítica: É proibido fumar – Anna Muylaert (2009)

Muylaert, diretora de Durval Discos (2002), retoma alguns temas de seu filme anterior: a mudança, seja de época, como quando Max (Paulo Miklos) diz que o futebol em outras décadas eram diferentes e dizendo que hoje os jogadores somente pensam em dinheiro; mudança de comportamentos, que apesar do nome do filme o tema é abordado apenas superficialmente; e a mudança de fases da vida, ao decorrer do tempo, como influi nas personalidades. Além disso, a música permeia todo o filme, sendo os personagens principais músicos, trazendo referências da MPB brasileira (Chico Buarque, Jorge Ben).

Ela opta por um cinema particular, criando universos partidos da realidade, como um olhar filtrando as emoções e dando-lhes prioridade. Sua decupagem preza por planos aproximados, sem muitos planos gerais ou conjuntos. As conversas possuem um ar de descontração que fazem com que soem verossímeis. Um uso de palavras coloquiais facilitam os atores, que têm a possibilidade de um outro tipo de atuação, com maior liberdade e improviso. Miklos parece se encaixar bem no tipo de papel que fala muitas gírias, como em uma conversa de bar, como em O Invasor (2002) . Pires nos dá algumas atuações impressionantes (e algumas nem tanto), principalmente quando vemos sua depressão/solidão bem de perto, como o plano detalhe de seu olho. A trama cria uma atmosfera de tensão depois do acidente de Estelinha, que surge como antagonista para Baby. O fim deixa o desfecho das histórias dos dois em aberto, fazendo com que o espectador suponha o que tenha acontecido depois.


Uma boa surpresa um filme se diversificando, mostrando algo além do que vemos nas novelas ou séries de TV brasileiras e fazendo-nos acreditar que um cinema com apelo comercial e que ofereca algum tipo de reflexão seja possível . Assim, cria-se uma nova mentalidade em torno da criação de filmes, sendo esses que se diversificam e pretendem abordagens menos usuais normalmente apontam para uma linguagem e temática mais criativa, livre e sincera.

G.C.

2 Comentários to “Crítica: É proibido fumar – Anna Muylaert (2009)”

  1. Que clichê o fim do seu texto.

  2. UM DOS MELHORES FILMES NACIONAIS DOS ÚLTIMOS TEMPOS!

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