Crítica: The Host – Bong Joon-Ho (2006)

Co-produção japonesa e sul-coreana, O Hospedeiro é uma mistura de gêneros eficiente, transitando pelo horror, suspense, ação, humor negro e ficção científica.

Seus momentos de ápice são quando o monstro-título entra em ação, fazendo com que as cenas de preparação, nas quais o roteiro se desenvolve, quebrem o ritmo. Porém, essas cenas que poderiam passar desapercebidas se enriquecem pela habilidade que Ho tem em manejar a linguagem e o trabalho minucioso de iluminação, cenários e de cores. Além disso, os aspectos formais não são renegados, havendo planos bem construídos geometricamente, uma preocupação evidente com a profundidade de campo próxima ao infinito nas cenas externas, e uma atenção aos rostos e pedaços do corpo nos planos aproximados, além de muitos travellings com função narrativa de ação (acompanhando algum personagem ou o monstro).

Em uma de suas cenas interessantes, temos o protagonista e seu amigo andando pelas ruas escuras, quando um som fora-de-quadro surge, remetendo obviamente ao monstro, criando suspense. Logo, vê-se que era apenas o barulho de alguma máquina soltando fumaça, deixando o espectador aliviado.

A tecnologia é enfatizada, mostrando como os meios de comunicação reagem ao acontecimento e como ela ajudaria em uma situação catastrófica (celulares para comunicação, medicina para resolução). Há também uma sátira política, afirmando que as autoridades mal sabem como agir no caso, cometendo as maiores ignorâncias: como simplesmente fazer um churrasco na beira do rio onde o monstro habita.

Os FX do monstro são totalmente convincentes, infelizmente até a cena final, onde o monstro queimado demonstra claramente um fogo inverossímil. Há também cenas que devem ter apelos cultural regionais, como certas “piadas corporais em conjunto”, teatrais; expressões exageradas, como choros e risos, típicas do humor oriental; e cenas com ênfase sentimental que se tornam cansativas, para não dizer patéticas.

Ho se mostrou um grande entretainer, com apelo de massa, como um Spilberg era em seu período mais fecundo (70-80). Aliás, se Spielberg viu esse filme, deve ter sentido uma inveja monstruosa.

G.C.

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