20 Álbuns de 2012

20. Julia Holter – Ekstasis

 
O título é bem auto-explicativo, sendo que é mais um êxtase pela calmaria que por uma catarse.
♫ In the Same Room, Goddess Eyes I

19. The 2 Bears – Be Strong

 
Álbum que nos faz perguntar se Joe Goddard não é alma e cérebro do Hot Chip.
♫ Work, Ghosts & Zombies

18. The Vaccines – The Vaccines Come of Age 

 
Difícil ver um grupo de indie-rock não soar parecido com as infinitas emulações do Strokes/Arctic Monkeys da década passada. Vaccines (com o Black Lips) parece ser um desses.
♫ Bad Mood, Ghost Town

17. Paul Weller – Sonik Kicks 

Como Bob Dylan, Bruce Springsteen, Scott Walker, Neil Young (bem cotados), Van Halen e Paul McCartney (mal cotados), o ex-vocalista do The Jam segue seu bem recebido Wake Up The Nation de 2010 com um conjunto de boas músicas.
♫ Green, The Attic, That Dangerous Age

16. Totally Enormous Extinct Dinosaurs – Trouble 

Orlando Higginbottom, esse rapaz que se veste estranho, mantém o eletro-indie dando os últimos suspiros
♫ Tapes & Money, Trouble

15. Hot Chip – In Our Heads 

 
O Hot Chip não deixou a peteca cair desde 2005, com o álbum  meio hip-hop meio chill-out Coming on Strong.
♫ How Do You Do?, Don’t Deny Your Heart, Night & Day, Flutes

14. ∆ (Alt-J) – An Awesome Wave 

Na onda da neo-psicodelia, ∆ em seu disco de estréia traz um som bem particular, mais calmo que os congêneres, mas igualmente viajante.
♫ Tessellate, Breezeblocks e Dissolve Me

13. John talabot – ƒIN

O produtor espanhol John Talabot trafega pelo dance, house, indie-pop e disco em um dos álbuns mais dançantes de 2012.
♫ Destiny, Oro Y Sangre e When The Past Was Present.

12. Jack White – Blunderbuss

Uma pancada bem dada. Jack White mostra que está bem vivo. Escute Sixteen Saltlines e comprove.

10. Dr. John – Locked Down

Revival do blues-rock, que teve no álbum El Camino dos Black Keys (2011) seu maior expoente (não por acaso o lider do Black Keys, Dan Auerbach, esteve presente nas sessões desse disco), Dr. John nos traz um som atemporal, que bem poderia estar nos 60′s ou 70′s, como o Gentle Spirit do Jonathan Wilson (2011). Outros discos dessa linha nesse ano são o Fear Fun do Father John Misty e o Heaven do The Walkmen.
♫ Revolution, Ice Age, Getaway e Kingdom of Izzness

10. Django Django – Django Django

Outro disco que revive a psicodelia, o álbum de estréia da banda é um conjunto bem disconexo de músicas nada convencionais. Difícil achar grupos que casam experimentação e melodias pop (na medida em que esse termo é possível para o Django Django) de maneira palatável. Uma esquisitice que casa bem com a proposta de rock básico, como em Default, o melhor single. Firewater, Waveform e Life’s a Beach completam essa boa contribuição para a neo-psicodelia.

9. Chromatics – Kill For Love

Uma resenha do site Pop Matters resume bem do que se trata esse álbum: “a romantic midnight road-movie”. Seu último álbum, de nome Night Drive (coincidência?), dá as pistas para o que é o som da banda: a concretização sonora de um passeio flanuer de carro à noite, por ruas escuras e desertas, de preferência aquelas do imaginário de filmes americanos, de Taxi Driver a Abel Ferrara passando pelos filmes noir. Sombrio, delicado, estonteante, glamourizado, Kill For Love é um disco de sensibilidade ao extremo. Destaque para a música-título Kill For Love e Lady.

8. Chairlift – Something

Ao contrário do DIIV, o Chairlift têm suas referências bem marcadas, notadamente o Electropop dos anos 80 somado a vocalistas doces/etéreas (Liz Phair do Cocteau Twins) e escandalosas (Björk). Adicionando o fato de Caroline Polachek ser uma das mulheres mais lindas desse planeta, escutá-la cantando é quase ser tocado por ela, sua alma, suas emoções. Não bastasse, as músicas do duo grudam de uma maneira irresistível: Sidewalk Safari, Wrong Opinion, I Belong to Your Arms, Take it Out on Me, Ghost Tonight, Amanaemonesia. Se você gosta de The Bird and The Bee, Feist e St. Vincent, Chairlift é uma pedida certa.

7. Cat Power – Sun

Sinceramente nunca tive interesse por Cat Power. Quando ouvi, achei suas músicas fofas demais. Eis que surge Sun: belo, cativante, enérgico, contestador. Escute as 4 primeiras músicas, Cherokee, Sun, Ruin e 3,6,9 e verá o quão preciso os adjetivos da frase anterior se encaixam. A foto da capa foi tirada 20 anos antes (quando ela tinha 20 anos), talvez afirmando um retorno a um período mais rebelde, inconsequente. Uma boa sequência e até parecido com o Let England Shake da PJ Harvey, de 2011.

6. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Mature Themes

Ariel parece estar só tirando uma onda enquanto faz sua música (o que é essa Symphonyof the Nymph?). Um moleque. Na ativa desde 2002 e tendo reconhecimento apenas com o álbum Before Today de 2010, Ariel Pink’s Haunted Graffiti nos entrega um álbum único. As duas primeiras músicas, Kinski Assassin e Is This the Best Spot? parecem quebra-cabeças. As duas próximas, Mature Themes e Only in My Dreams são pérolas pop de dar inveja a “qualquer” Beatles e Beach Boys. A última, Baby, parecia estar escondida em algum baú secreto desde 1967. Entre essas, loucura pra todos os gostos, alternando garage rock, ambient, desenho animado e monólogos a la Velvet Undergound. Lisergia em forma de ondas sonoras.

5. DIIV – Oshin

DIIV é uma banda com o tipo de som que você tem a certeza que já ouviu, só não sabe quando nem aonde. Parte dessa “onipresença temporal” se deve a como suas influências estão dissolvidas em suas músicas. Shoegaze, surfmusic, noise, e nada disso. Trata-se de um disco coeso como nenhum dessa lista. Sua audição se dá sem solavancos, fruto de sua atmosfera nebulosa e ensolarada (por incrível que pareça, é uma descrição que cabe perfeitamente). Um disco que consegue ser várias coisas ao mesmo tempo e encanta por sua simplicidade aparente.

4. Grizzly Bear – Shields

Shields confirma o Grizzly Bear como uma irrepreensível fábrica de músicas pop (no melhor sentido do termo). Após o belo Veckatimest, Daniel Rossen retorna mais controlado, alternando os momentos de preparação e ápice. Em seu álbum solo Silent Hour/Golden Mile, é nítido que o vocalista às vezes passa a barreira da exaltação para se tornar piegas. Em Shields, o controle das harmonias, tanto dos vocais (sussurrados) quanto do instrumental (cheio de pausas), se sobressai. O resultado são monumentos de partir o coração como Speak In Rounds, Yet Again, A Simple Answer e Gun-Shy.

3. Tame Impala – Lonerism

Seguindo a onda dos revivals, Kevin Park e cia seguem a sequência do belo álbum Innerspeaker para mergulhar mais fundo em suas referências psicodélicas (Cream, Jimi Hendrix). Difícil não dar um nó no cérebro com as ultraviajantes Apocalypse Dreams, Why Won’t They Talk to Me?, Feels Like We Only Go Backwards, Keep on Lying, Elephant, etc. Mais difícil ainda não reconhecer que se trata de uma revitalização de um gênero com uns 45 anos de tradição, dando um passo a mais que a turma da gravadora Elephant 6 (Olivia Tremor Control, Of Montreal, Apples In Stereo) começou nos anos 2000 (com viés mais esquizofrênico). Resumindo, uma piração.

2. Beach House – Bloom

Bloom é um presente para os ouvidos. Dá pra perceber Victoria Legrand entregando seus sentimentos nesse álbum soturno, denso, coeso, arrepiante, transcendente. É um convite a sobrevoar um céu deitado em nuvens (se você pensou no jogo Aladin e ficou uma imagem engraçada, leve a sério e terá uma boa aproximação). O dream pop em seu melhor momento. Os synths, a voz aveludada, as batidas cadenciadas e outras virtudes menos objetivas fazem de Bloom um dos melhores discos do ano.

1. Wild Nothing – Nocturne

Nocturne não é perfeito. É só metade perfeito. Mas essa metade… Shadow, Midnight Song, Nocture, This Chain Won’t Break, Disappear Always e Counting Days são sublimes, etéreas, saudosistas, que fazem lembrar tempos que nunca existiram, mas sempre estiveram marcados em sua lembrança. Um certo tempo “X”, que o ouvinte o reverte à sua nostalgia preferida. Parece que esse disco sempre foi seu “melhor amigo” que se arrepende de não ter conhecido antes. Enfim, dá pra fazer mil analogias com esse álbum de vocais doces, músicas simples e guitarras marcantes. Fico satisfeito apenas em dizer que é a coisa mais bonita, viciante, perfeita e confortante lançada em 2012.